Avançar para o conteúdo principal

O meu cão é que abana o rabo!

Eu não dou muito ao meu semelhante e o que recebo é sempre mais do que o dobro do que mereço. Por isso a minha desilusão com o próximo é sempre nula. Só me lamento quando me obrigam a ter trabalho.

Coisas simples apaixonam-me e as raridades ofuscam-me – Detesto ouro, odeio diamantes, e não tenho sonhos de ilhas desertas. Gosto de companhia, gosto de um abraço, de um beijo, de um aperto, de estar perto.
Gosto de um berro efectivo mas não gosto de berrarias.
Detesto discussões parvas e quando discuto entro neste circo.
Hoje sou eu, amanhã sou outro… e depois outro, outro e ainda mais outro. Os heterónimos do Pessoa são de toda a gente. Ninguém é alguém verdadeiramente. Somos mil e uma coisas e não somos coisa alguma. Hoje não sou o que já fui. Num amanhã não serei nada.
Se me disserem que “sou assim ou assado” ou comigo as “coisas são desta maneira” é uma grande mentira. Já reagi de diferentes maneiras a uma sopa quente - O meu cão é que abana sempre o rabo quando me vê chegar.

Se quero chorar, choro. Se parecer mal, admiro quem se esteja a borrifar para isso. Adoro gente que é gente de verdade. Essas são as raridades que me apaixonam. A vida é longa para os sábios e curta para os indignados (sem considerar qualquer catástrofe).
Gosto da igualdade. Não me revejo em discursos de “méritos” porque têm sempre jogos sujos pelo meio. Diria que sou de esquerda. Da verdadeira.

Não gosto do trabalho mas sou obrigado a gostar do dinheiro. Não gosto do podre, do mau cheiro, de baratas, de gafanhotos, de ricos desdentados…

Para o Universo de nada vale o que não gosto. E para mim de nada vale a imensidão do Universo porque estarei sempre preso numa pequena caixa.

Comentários

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

Dor reflexo

Vocês conhecem a dor reflexo?
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…

Texto mágnifico ou até mesmo impressionante!

Sempre tive o desejo de escrever um texto impressionante. E este, vai ser um texto que poderá até ultrapassar os limites da plenitude. Porquê? Porque vou falar de mim.

Foi só uma tentativa de comédia estas pequenas linhas. Nem vai ser um texto impressionante, nem vou falar de mim. O que eu queria mesmo era falar de vocês. Em geral. Não falar por falar, mas tentar dar bons conselhos. E se me permitem, e se não saltaram já desta página, o primeiro conselho que queria partilhar convosco, é que ajudem mais o próximo. Não é bonito? Não é de louvar eu dar este tipo de conselhos?
O próximo precisa de vocês. O próximo é próximo e vosso semelhante. Quando digo isto, não é para estarem atentos às bermas da estrada a ver se avistam uma velha carente. Falo mesmo em ajudar. Em “perder” o vosso tempo com boas acções.

Já me cansei só de escrever isto. Imagino o vosso aborrecimento em lê-lo. Queria que me saltassem dos dedos frases magníficas. Sentir o crepitar do inexcedível em cada letra. O vosso so…

PROFESSORES

É preciso, nos tempos que correm, ter muito cuidado com a partilha de opiniões. Podemos sempre ofender alguém. As pessoas têm uma aproximação afectuosa com a ofensa. Gostam de se sentir ofendidas e para ajudá-las, hoje vou arriscar falar sobre Professores.
Começo, como ponto prévio e para que não restem dúvidas, por dizer que não gosto de Professores.
 Polémico? Talvez não. Tendo em conta que está na moda não gostar deles. E temos todos razão e deveríamos de uma vez por todas explicar, aqueles que não gostam de Professores, do porquê de não confiar-mos nesta Classe.
Como é possível simpatizar com alguém que andou anos a fio a estudar para ensinar, desde tenra idade, pessoas? Como poderemos confiar em gente desta?
Eu se vejo mais do que duas crianças juntas fujo, corro, apresso-me para o lado completamente oposto. Imaginem uma sala cheia desta gente!
Depois os Professores, para além de terem o dever de os ensinar, parece-me óbvio que, primeiramente, os têm de educar. E aqui muito…

Em Roma ninguém urina na rua !

Chegou um surto novo em Angola que ataca os olhos das pessoas. Até agora nada de grave, com sintomas associados a comichão e vista vermelha e sem qualquer preocupação de maior.
Uma das rádios de Angola saiu à rua e perguntou ao Povo as soluções que tinham encontrado para amenizar os sintomas. Esperava-se, como é óbvio, um espectáculo a todos os níveis arrepiante e as previsões não me decepcionaram: Desde leite a urina tudo serviu para divertir quem se entediava no trânsito, mas o melhor estava guardado para o fim, quando alguém se lembrou de por óleo dos travões nos olhos para aliviar a comichão. Ficou cego, ninguém esperaria que tal acontecesse já que para os travões funciona perfeitamente.

De rádio em rádio de opinião em opinião, todos estão de acordo com o respeitar o próximo. Numa das estações o assunto do dia era o facto de se urinar ou não na rua. Um motivo mais do que suficiente para manter a sintonia naquele posto e mais uma vez a minha intuição não falhou. Enquanto se debatia…

O DESEMPREGADO COM FILHOS

Todos os dias vocês vão batendo o vosso recorde: Dias consecutivos que permanecem vivos.
Para além de estarem de parabéns e de forma a vos compensar achei que esta pequena história seria de todo apropriada para o momento. Embora esta história não seja da minha autoria tem ligeiras modificações. Não irei colocar aspas mas o aviso prévio está dado pelo que não me poderão acusar de plágio.


A história chama-se: O Desempregado que tinha filhos
Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos uma mão.»
Ele estava desempregado há muito tempo, tinha filhos e aceitou.
Passado algum tempo foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.»
Ele estava desempregado há muito tempo, tinha filhos e aceitou.
Passado algum tempo foi despedido e teve que irremediavelmente, de novo, procurar emprego. Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.»
Ele estava desempregado há muito tempo, tinha fil…