23/11/2017

O MUNDO NÃO ME ALEIJA

Há na realidade gente com pouca sorte e que se distingue por completo desta classe. São algumas excepções e que tiveram, de facto, o azar a bater-lhe à porta. A nossa vénia e apoio a esses Heróis. 



“É preciso ter senso de humor e não ver como génio aquele que, hoje em dia, facilmente é Doutor.”
É uma frase que não é minha, como facilmente se percebe (não só pelo simples facto de ter aspas). Uma frase assim faz sonhar o mais frustrado. Como se ele merecesse sonhar. Um frustrado não tem remédio que o cure. Será sempre o que quis ser – nada. O frustrado alimenta-se do oposto e alia-se ao seu semelhante, ou seja, de outros frustrados. Coitadinhos são como ele. Mas os mais apreciados, por esta espécie, são os que estão ainda pior que estes desgraçados. A desgraça faz com que esta comunidade se una e chorem as injustiças que a vida lhes tem pregado. São os “coitadinhos”. O resto do mundo não imagina como sofrem. Os outros não fazem ideia do que é o verdadeiro sofrimento, do que é ter problemas. Como se a “dor” fosse uma medalha exclusiva desta gente. “Estou farto de sofrer!” - diz o pobre coitado. Vamos todos dar as mãos, e dizer em uníssono: “Coitadinho!”.
Há na realidade gente com pouca sorte e que se distingue por completo desta classe. São algumas excepções e que tiveram, de facto, o azar a bater-lhe à porta. A nossa vénia e apoio a esses Heróis. Fora isso temos que ser impiedosos e não perder tempo com os frustrados. Não se pergunta um frustrado como é que vai a vida; Nunca se conta a um frustrado os nossos problemas. No fundo não se deve conviver com frustrados. É gente que merece viver, é certo. Ninguém aqui quer abater a tiro nenhum deles. Até porque um tiro bem dado, iria impedir o frustrado de se queixar novamente. E eu não estou a pedir isso. Por vezes sabe-me bem ouvir frustrados. Faz com que eu continue agarrado, com todas as minhas forças, à ideia (parva confesso), de que o mundo, a mim, não me aleija. E não só não me aleija como ainda por cima, eu sou mais forte do que ele. Só um estupido pode querer levar a vida a peito. Mas se quiser levar tudo bem...depois não se queixe e não diga que se aleija.

18/11/2017

SÓ QUEM NÃO ESTÁ LÁ DENTRO É QUE SABE

Só quem está cá fora é que sabe o que é não estar lá dentro. Isto é já para começar. Porque há para aí muitos pascácios que se esquecem de que não estar ou vivenciar uma determinada experiencia, também é, por si só, uma experiencia. Parece confuso ou intrincado este raciocínio mas tenho de aproveitar as raras vezes que me é proporcionado uma agitação mental. Ainda me lembro de um vizinho meu, que se não tivesse morrido a tempo ainda hoje estaria a embalar caixas na fábrica onde trabalhou durante quarenta anos. Ele também era daqueles que dizia que “só quem está lá dentro é que sabe”. Claro que eu lhe mostrava que o contrário também era doloroso. Estar de fora nunca é fácil.

11/10/2017

PURO

Espero que se encontrem de saúde porque, como sempre nos ensinaram, é o mais importante. Dizem que tudo o resto vem por acréscimo. Menos estes textos que habitualmente vos escrevo. Eles simplesmente não aparecem - independentemente se eu tenha muita ou pouca saúde. São fruto de muito estudo, minucia, observação e principalmente de veracidade. Aqui não se brinca caros leitores. Aqui trabalha-se a sério, com perseverança e com a missão de vos dar sempre o melhor. Não são raras as vezes em que leio e volto a reler. Emendo aqui, mudo uma ideia ali e invariavelmente apago parágrafos inteiros. As minhas entranhas são despojadas com muito sacrifício. Nada vem por acréscimo. Para quê ou com que finalidade? Nenhuma. Decapito qualquer objectivo à partida. As metas são para quem acredita que tudo, ou uma parte, termina nela, na meta. Li e reli o que acabei de escrever e nada me faz sentido. Mas não mudei nada. O que leram mantém-se virgem e inalterado. Puro e por isso uma merda

21/09/2017

GORDOS EM GERAL E FILHOS EM PARTICULAR


Por isso hoje o tema é dos mais sensíveis e importantes que foram aqui discutidos. Falo, claro está, dos Pais de crianças gordas.



Pessoas que se vêem aflitas para pagar as suas contas ao final do mês rejubilam com os ganhos do seu clube com vendas astronómicas de milhões. “ O meu clube vende mais que o teu!” - Acho isto de uma magnitude invejável. Quem não fica maluco com uma venda de um jogador acima dos 30 milhões? Eu pelo menos fico passado da cabeça. Ontem, por exemplo, foi um desses dias: O frigorífico avariou-se e não fosse o facto de o meu clube ter vendido bem, não sei onde é que iria arranjar o dinheiro. Isto é só um "à parte" porque, como o leitor bem sabe, os meus textos abordam assuntos essenciais e nunca se perdem com superficialidades.
Por isso hoje o tema é dos mais sensíveis e importantes que foram aqui discutidos. Falo, claro está, dos Pais de crianças gordas. Não dos Pais que são gordos, que isso pouco me importa, mas sim das suas belas e gordas crias. Um Pai que tem um filho gordo, permitam-me dizer - e não há uma maneira delicada para o fazer - é uma besta. Um puto, acredito eu, é capaz de por para o bucho uns belos pacotes de batatas fritas, uns bons hambúrgueres e para rematar um delicioso bolo de chocolate. Quem não era?
Atenção que eu adoro gordos, até que porque, normalmente, são sempre simpáticos. A minha teoria é que a simpatia dos gordos é quase obrigatória. Uma pessoa magra, elegante e bem-parecida pode muito bem não precisar da simpatia para atrair o seu semelhante. Já um gordo se não for simpático arrisca-se a que nem as moscas o aturem. Mas estamos a desviar-nos do assunto que nos levou a estar aqui todos reunidos – filhos gordos. Ora este assunto surgiu porque fui jantar a casa de uma pessoa amiga e ela é possuidora de dois belos leitõezinhos. Os dois luzidios leitões, antes do jantar, andavam a competir para ver quem comia mais porcaria. Abriram as gavetas e todas as portas  da despensa e enfardaram como se quisessem estar prontos para a matança. Claro está que quando principiamos o jantar, com uma bela sopa de legumes, as criancinhas fizeram um ar de quem está a olhar para um desorganizado aglomerado de verduras que foram cozidas em água a ferver. Não é apetecível. O espanto dos Pais, por as crianças não comerem a sopa, é que me deixou com pouca esperança na humanidade. Mas será que não se apercebem do óbvio? Não pude deixar de comentar e dar a minha opinião, visto que são meus amigos, e disse-lhes que aquelas criaturazinhas andaram durante uma hora a comer bolos e chocolates e que a seguir imporem-lhes uma sopa era, no mínimo, ridículo. Como sempre os meus comentários soam mal e as pessoas levam tudo muito a peito. Tenho esse defeito e é por isso que são raras as vezes dou a minha opinião. Mas neste caso, pensava eu, estava a falar com dois amigos e achei que o podia fazer abertamente. O jantar acabou com duas birras de fazer estremecer o prédio e parece-me que ficou a sensação que a culpa tinha sido minha. Acabo como comecei este raciocínio: Adoro gordos, mas são os filhos gordos que me causam sempre maior confusão.

14/09/2017

ATENÇÃO



Essa besta já me conhece. Conhece-me tão bem que eu por vezes pergunto-lhe quem é que eu sou.
Eu sou cheio de defeitos e é por isso que me irrita a resposta “chavão” que as pessoas dão quando são questionadas sobre os seus defeitos: Sou teimoso.
Ser teimoso é um defeito parvo e que nos compromete pouco. Parece que temos medo de dizer os imensos buracos que existem na nossa personalidade. Eu convivo todos os dias com inúmeros defeitos meus. Se a “máquina” funcionasse na perfeição seriamos Deuses e vivíamos na plenitude e isso não acontece. Não acontece por isso mesmo, porque somos carregados de imperfeições. Eu encarno muitas personalidades inacabadas, fracas, incorrectas, rudimentares, coxas, omissas, frustradas…
Tenho dias que não me conheço e esses dias são raros. São os dias melhores da minha vida, devo confessar, porque parece que nada me mete medo. Estranho e suspeito esse sentimento: então onde é que anda a anómala besta? Essa besta já me conhece. Conhece-me tão bem que eu por vezes pergunto-lhe quem é que eu sou. Por isso é que receitas de banha da cobra me assanham os nervos. Livros de” como aprender a ser feliz” servem tanto como se uma ferida se acalmasse se a cobríssemos com areia. Não a vemos é certo, mas ela está lá, e tapá-la é ser-se ignorante ao ponto de acreditar em Perfeição. Ela não pode existir. Iria estragar tudo porque a partir daí não seria preciso nada. Qualquer coisa serve para colmatar uma lacuna e é por isso que existe.

É como quando me perguntam, como se tivesse carta branca, o que queria fazer, ou o que queria ser. Cada vez mais a resposta se encaminha para o sítio certo – não queria ser, nem fazer, nada. O “nada” parece simples mas é muito complexo: estar com uma boa companhia numa conversa cheia de labirintos e montanhas russas. E depois não estar com absolutamente ninguém, nem com a besta que tão bem me conhece. Passado um bocado já queria estar com todos ao mesmo tempo numa conversa fiada sem fundamento ou essência nenhuma. Posteriormente, ou antes mesmo disso, queria desfolhar um livro complexo. Não pelas palavras, eu conhecia o significado de todas porque na verdade as palavras caras só servem o ego do escritor, mas porque aquela desordem significaria algo de especial e fazem-me parar de ler e pensar no significado de cada frase. Queria ver o programa do Gordo, o Preço Certo, não para me armar em superior, mas para me envolver com o vazio e ver a leveza de um programa onde a Lenka continua com o mesmo sorriso, e já agora com um belíssimo par de pernas, e as pessoas trazem a despensa em peso como se quisessem que o Gordo fique ainda mais gordo. Por isso tenho poucas virtudes e a maior delas é não acreditar na felicidade. Ela existe, mas aparece em pequenos momentos, como se de um rastilho se tratasse, e quando desaparece é que nos apercebemos que ela passou por aqui. Temos sempre a tendência de imaginar o passado melhor do que o que foi e prever um futuro melhor do que vai ser. Já sei que me vão dizer que temos de viver o presente. Mas isso são balelas de livros de encantar. Uma cabra é que vive o presente porque não pensa. Eu ando sempre às voltas para trás e para diante e assim hei-de continuar envolto em nevoeiros de certeza nenhuma. Se calhar sou teimoso e esse não é, definitivamente, o meu único defeito.

11/09/2017

AMAR EM PARTILHA. AMAR EM MATILHA

De todos os testemunhos o mais emocionante foi o do Vasco com onze anos de idade que quando soube da bonita declaração da mãe, reagiu em lágrimas e em plenos pulmões  


A Natalie, minha companheira desta vida, no outro dia mostrava-se preocupada e com uma dúvida pertinente: Tenho receio que o nosso amor não esteja de acordo com os padrões modernos.
A partilha de amor numa rede social poderá ser importante ao ponto de por em causa, caso não o façamos? Uma dúvida que não devemos ignorar e muito menos condenar quem o faz. Partindo do princípio básico - quem somos nós para julgar o amor alheio? A minha opinião pessoal, não a outra, é de que todo o amor é de difícil expressão. E só por isso não estou de acordo com qualquer partilha. Como dizia o Grande Pessoa “ (…) Quem fala parece que mente; Quem cala parece esquecer(…)”. Neste sentido prefiro não arriscar uma partilha de um amor tão itenso. As frases de amor ao próximo são de difícil escrita e ainda de mais complexa compreensão. Por exemplo, e utilizando factos concretos, o que significa (e para quem é que significa) dizermos : “ três anos de ti. três anos de puro amor. Amo-te meu pequeno reguila.”
Em princípio uma criança com três anos ainda não sabe ler. Mesmo que soubesse, vamos acreditar que não esteja ainda inscrito numa rede social. Se mesmo assim, e por força de me quererem estragar este exemplo, a criança saiba ler e tenha acesso a uma rede social, o que ela achará de um Pai que declara o seu amor por elas numa rede social? Fomos para a rua e fizemos um trabalho de investigação. Não basta ser superficial. Aqui tratamos dos assuntos como devem ser tratados – de uma maneira frontal.
Fomos ouvir o que estes filhos têm a dizer:
Cláudia de oito meses que viu a sua fotografia acompanhada de um bonito texto de amor, diz-nos – Guuuu, ahhhh, bababa Gruuu.
Já o Marco de dois anos – Pópó não tem rodas!
Beatriz de 5 anos vai mais além e sublinha – O Carrossel avariou e o Pai não sabe arranjar!
Já o Pantufa ficou sem palavras e até se mijou com a declaração do seu dono.
Mas de todos os testemunhos o mais emocionante foi o do Vasco com onze anos de idade que quando soube da bonita declaração da mãe, reagiu em lágrimas e em plenos pulmões - Eu quero uma Playstation!
Perante isto podemos concluir que todo o amor é bem-vindo e deve ser partilhado e compartilhado com quem bem entendermos. Mais faltaria termos reservas de dizer ao mundo quem amamos e quanto os amamos. Eu próprio sou capaz de amar. E digo desde já, e sem qualquer receio, que vos amo. Não me interpretem mal e não me peçam nenhuma Playstation.

08/09/2017

A MINHA VÉNIA

Raramente partilho o que quer que seja do que outras pessoas façam porque acho, aliás juro, que há poucas coisas melhores do que aquelas que eu próprio fabrico aqui. A minha criatividade é imensa, não há que o negar e vocês sabem disso, mas muito esporadicamente aparecem outros seres com a sua genialidade e criatividade a merecerem um lugar no cume desta montanha. A montanha é minha, eu sei que sim, tem a altura de um monte criado por um formigueiro mas para subir ao cume é preciso muito. Não se fica sem nariz é certo mas é preciso algo mais do que força de vontade.







31/08/2017

MOMENTOS POÉTICOS - RUI BARREIROS

Rui Barreiros é um poeta com um livro publicado e com o segundo prometido para o próximo ano. Filho do pintor e músico José Raimundo. Uma pessoa simples e humilde, tão humilde que acedeu ao convite de nos presentear com alguns dos seus poemas e ainda por cima num espaço conspurcado como este. Tentaremos que ele aceda à difícil missão de, periodicamente, nos dar a esse luxo. Um muito obrigado Rui Barreiros.









Poema dedicado ao escritor Charles Bucowski

CHARLES

O Charles suspirava de alívio
A cerveja misturava-se
Com o Whisky aguado
À nascença martelado
Açoitado em brigas de bar
Em mulheres de oferta
Em empregos de merda
Respirava a escrita
A erudita camuflada
Pelas cuecas de um mês
Pelos cigarros cravados
Entalados nas portas de carros
Nos portões do álcool
O Charles ressacava 
Amealhava apreensões
Multas de embriaguez
Era freguês da solidão
Sem alimentação cuidada
Renegava os porquês
Da sociedade estagnada
Da clássica sinfonia
Da música de cabeceira
Na poesia e na prosa
Nas fodas tardias
Das corridas equestres
Das apostas aturdidas
Amado ou odiado
Sem rodeios de vender
Com todos os defeitos
Das maiores virtudes
Das mais incrédulas atitudes
Sem medo de não o ser
Ah! Grande Chinasky
E que um dia bridemos juntos…




30/08/2017

PARA QUE SERVE?


E isto passa a ser normal e assustadoramente simples para a cabeça de muita gente. Eu sempre disse que detesto servir.


Quando se pergunta para que serve a música, para que serve o tetro, a literatura, etc… acho que à partida a pergunta por si só é parva e não faz sentido. Para que serve o pôr-do-sol? Não estamos a falar de uma máquina de café, que serve para tirar cafés. Aqui não há dúvidas. Ou para que serve uma máquina de lavar loiça, que não serve, por mais surpreendente que possa parecer, para lavar roupa. Há coisas que não servem para servir. Eu próprio não sirvo para servir ninguém mas como nunca tive um espirito empreendedor fui obrigado a isso. E de há uns anos para cá sou um servidor. Sirvo por necessidade, mas esta questão não encerra sobre si que todas as pessoas têm que servir para alguma coisa. Há pessoas que não servem para nada e são essas que mais se servem das pessoas. O “servir” é uma palavra que me incomoda como se nota neste pequeno, mas esclarecedor, texto. Muitos analisam o próximo com o intuito de “para que me servirá esta pessoa?” Tudo e todos têm que servir para alguma coisa. Não damos um passo se não tivermos quase a certeza absoluta de que foi um passo em direcção a algo, que serviu para alguma coisa. Porque se não, não vamos. Ficamos quietos. Isto parece-me tudo muito mecanizado sendo que “eu só ligo a impressora se for para imprimir.” E isto passa a ser normal e assustadoramente simples para a cabeça de muita gente. Eu sempre disse que detesto servir. Se me contactarem à espera que eu vos sirva para alguma coisa, desde já aviso que eu não sirvo para nada e quero continuar assim. Eu sei que corro o risco se não vivo para servir…

07/08/2017

SÓ ENFRENTA QUEM AGUENTA! (ou não)

Voltei a por os pés em ramo verde. Foi uma escolha minha não há nada que me possa queixar.


A puta da sorte dá um trabalho do caralho -desculpem começar um texto com esta delicadeza mas há palavras que não conseguem exprimir tão bem aquilo que se quer dizer como estas belíssimas duas.
Fora este aparte estou de novo, tal e qual como uma fenix, a levar pancada de todos os lados. Não conheço nada, não conheço ninguém, não sei daqui a uma hora o que pode acontecer e a estrutura para ganhar uma rotina (daquelas rotinas que todos se queixam) demora a estabilizar. É verdade, sai de novo de Portugal. Voltei a por os pés em ramo verde. Foi uma escolha minha não há nada que me possa queixar. Mas não me digam, por favor , que mais uma vez tive sorte. Não critico e até invejo de quem gosta e, principalmente, quem consegue manter a sua estrutura. Poderá não haver nada melhor do que isso. Mas por vezes há. E aqui eu tenho uma opinião diferente, somente isso. Não sou melhor, e já agora nem pior, do que ninguém. Agora, como um jogador de futebol, há que levantar a cabeça. Era somente isto e reparem que de uma forma subtil, sem ofender ninguém, mandei uns quantos para a Puta que os pariu!

02/08/2017

SÓ ESTÁ AO ALCANCE DOS GRANDES GÉNIOS

Nasceu outro Guru do futebol com um profundo entendimento da essência filosófica.
A seguir a Abel Xavier que nos encanta com a sua dissertação sobre a palavra “Treinador”, onde com uma simples separação da palavra revela que o Treinador “treina” a “dor”, assim como o canalizador é homem para canalizar qualquer tipo de dor, aparece-nos outro Abel, desta vez o Ferreira e diz-nos que “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo!”
Era isto que eu andava a tentar-vos dizer há anos mas não arranjava as palavras certas para o dizer. Finalmente!

09/06/2017

AS 10 COISAS QUE AS PESSOAS INTELIGENTES NUNCA FAZEM

Quem é que não quer ver se é inteligente ao ponto de não fazer certas coisas que os “ditos” inteligentes também não fazem?



O titulo deste texto é dos mais apelativos que tenho visto. Quem é que não quer ver se é inteligente ao ponto de não fazer certas coisas que os “ditos” inteligentes também não fazem? “Ora deixa cá ver se eu afinal sou ou não inteligente!”
É preciso ter em atenção alguns factores:
1º) A pessoa que escreveu esses tais 10 itens é inteligente ou fez uma pesquisa dos que as pessoas inteligentes não fazem? Se é efectivamente inteligente presumo que não perderia tempo com uma espécie de revelação que já de si não parece ser muito inteligente. Se realmente não foi bafejado pela inteligência e anda atenta ao que as pessoas inteligentes não fazem, então chegar-nos-á, para sermos inteligentes, não fazermos essas 10 coisas? Parece óbvio que somente isso não chega. Então surge-nos a primeira conclusão: não basta um texto para passarmos para o lado de lá. Para o lado das pessoas inteligentes.

Sigamos com o raciocínio e com um segundo factor que promete arrasar com a maioria dos aspirantes a inteligentes: nada como irmos à origem da palavra e percebermos a definição de “inteligência”, sendo ela: Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstracção e concepção). Esta definição é de facto aterradora e aniquila, quase por completo, com uma suposta e simples aspiração. E é aqui que o vosso ego vos diz que as pessoas que não são inteligentes, também elas são importantes para o suposto equilíbrio do planeta. Claro que sim e o vosso ego, neste caso, tem toda a razão. Não é de todo, confesso, assim tão deslumbrante estar deste lado. Alguém tinha que vos chamar à razão e viver na ilusão nunca foi e nunca será vantajoso para ambas as partes. Mas há muitas outras aspirações possíveis e também elas apetecíveis que estão ao vosso alcance. Não desanimem até porque a felicidade está intimamente ligada com a ignorância. E quem é que não quer ser feliz? Certamente que todas as pessoas que são inteligentes têm essa ambição.

02/06/2017

NÃO SOU GAY E QUERO ADOTAR

Eu imagino a capacidade destas bestas que passados três ou quatro meses chegam com a criança às respectivas instituições e dizem, como se de um brinquedo estragado se tratasse, que afinal não era bem isto que imaginavam: “choram muito, fazem birras e precisam que lhes façam as coisas todas.”



Ontem foi o dia da criança e foi bonito ver a enxurrada de gente a demonstrar carinho e amor pela pequenada. Este dia não é como tantos outros que há por aí. Digo isto sem qualquer desprimor para com os outros dias mas as crianças são, juntamente com os idosos, seres que dependem exclusivamente de nós. Não sei se há o “Dia do Velho” mas se ainda não decretaram esse dia, permitam-me sugeri-lo porque têm todo o direito. Ora, o dia da criança também nos trouxe dados que são, no mínimo, curiosos. Vejamos: o ano passado foram devolvidas quarenta e três crianças que tinham sido adoptadas. Sendo que metade delas tinham menos de dois anos. Quantos de nós já não ouvimos que a burocracia para se adoptar uma criança é muito complicada e todos nos empoleiramos, com conhecimento nulo das situações, e dizemos que é uma vergonha? Eu também acho que é uma vergonha porque parece que existe um período de seis meses de adaptação e uma espécie de experimentalismo. Não estou minimamente contra este período porque as pessoas que devolvem as crianças permitem revelar muito do seu caracter. Eu imagino a capacidade destas bestas que passados três ou quatro meses chegam com a criança às respectivas instituições e dizem, como se de um brinquedo estragado se tratasse, que afinal não era bem isto que imaginavam: “choram muito, fazem birras e precisam que lhes façam as coisas todas.” A Senhora que deu a cara por esta situação explicava que é muito difícil saber se, efectivamente, as pessoas que querem adoptar têm ou não a capacidade e vontade para o fazer. Imagino que sim. É como ir a uma entrevista de emprego. Qualquer camafeu tenta mostrar o melhor de si e só um maluco diria: “olhe eu só de ouvir a palavra trabalho dá-me vontade de o espancar com um ferro em brasa” Mas o problema é que estamos a falar de um ser pequenino, indefeso e que pela segunda vez, na sua curta vida, é rejeitado por “pessoas” que deveriam morrer cedo. A morte não se deseja a pessoas. Tudo o resto que não contribua para o ecossistema tem que, impreterivelmente, ser varrido do planeta. Por isso é que me dá pele de galinha quando ouço que os casais “gays” não deveriam adoptar. Mas eu quero lá saber se é gay, preto, amarelo ou às pintinhas. Desde quando é que a capacidade de uma pessoa, neste caso duas, é proporcional ou equivalente ao sexo, cor, raça, religião ou tendência sexual? Se no vosso mundo é assim então sugiro uma coisa: Árvores com galhos e uns primatas para desabafarem.

25/05/2017

SORTE OU AZAR? AJUDE-NOS A DESCOBRIR

Vamos a um exemplo prático para que o leitor possa de uma forma clara perceber do que se trata. Aqui eu incluo o leitor para que ele possa participar directamente, caso assim o entenda, num estudo que depende única e exclusivamente dele para avançar.


De acordo com um estudo, embora não seja científico porque foi efectuado por mim, a sorte está intimamente ligada com dois factores: a preparação e a oportunidade. Como foi um estudo que não teve qualquer comparticipação de patrocínios ou apoio de qualquer entidade estatal, não poderei, infelizmente, adiantar muito mais do que estas duas premissas. Não porque eu esteja a esconder a informação e a não queira partilhar, mas porque necessitaria de mais meios, e principalmente tempo, para aprofundar este estudo. Os indicadores, segundo o estudo, acabam por ser positivos porque a sorte não é lançada ao acaso. Parece que existem bases sólidas para que ele possa surgir com maior frequência nas nossas vidas. Não poderemos, segundo os indicadores, mandar farpas a um vizinho ou a um amigo caso ele tenha mais sorte que nós. Tudo indica que ele tenha investido o seu tempo numa determinada preparação que se conjugou com uma certa oportunidade. Claro está que todos os estudos, e principalmente este porque ainda é imberbe, não contemplam factores de acidente ou os chamados em termos técnicos – extraordinários. Vamos a um exemplo prático para que o leitor possa de uma forma clara perceber do que se trata. Aqui eu incluo o leitor para que ele possa participar directamente, caso assim o entenda, num estudo que depende única e exclusivamente dele para avançar: deixarei o meu NIB no final deste texto para todos aqueles que queiram e tenham a pretensão de ver a tão aclamada sorte ser desmontada e, no fundo, desmascarada perante a nossa sociedade. Vamos então ao tal exemplo: Imaginemos um sujeito, poder-lhe-emos chamar Jacinto, que estava sentado num banco de jardim e um pombo lhe defeca em cima do ombro. A pergunta imediata que surge, é: teve azar? O estudo pegaria neste problema de uma outra forma, numa diferente perspectiva: o que estava o Jacinto a fazer, aquela hora, no banco do jardim? ; Não tinha trabalho para fazer? ; Não estaria a mulher do Jacinto a precisar da sua ajuda? Ou seja, poderíamos estar perante um caso onde o azar se transformaria numa oportunidade. Num antecipar ou precipitar de determinada acção que o Jacinto teria que desenvolver. Espero que o leitor perceba que precisarei de ter tempo disponível para me dedicar a tempo inteiro a este estudo e, posteriormente a estudos que poderão sugerir. Agradeço desde já a vossa disponibilidade e ajuda.

NIB: 0018.00003.7260273001.59

24/05/2017

MOMENTOS POÉTICOS - RUI BARREIROS

Rui Barreiros é um poeta com um livro publicado e com o segundo prometido para o próximo ano. Filho do pintor e músico José Raimundo. Uma pessoa simples e humilde, tão humilde que acedeu ao convite de nos presentear com alguns dos seus poemas e ainda por cima num espaço conspurcado como este. Tentaremos que ele aceda à difícil missão de, periodicamente, nos dar a esse luxo. Um muito obrigado Rui Barreiros.









Cria saltar


Cria saltar
Talvez devagar
Numa queda lenta
Interminável
Sem onde aterrar
Repousar o corpo
Deixar pairar a alma

Cria viajar
Talvez sem sentido
Sem caminho predefinido
Perdido
Numa rota indiferente
De espirito ausente

Posso estar farto
De me fartar
Do cansaço intermitente
Deprimente, incoerente
Posso estar exausto
De o estar
De procurar o celibato
O isolamento

Cria voltar
A sonhar ao de leve
Num breve suspirar
De ar, de suavidade
De transparência
De clarividência
Retornar a nascer
A crescer novo

Cria criar
O Tornar puro
O Céu escuro
A escuridão envolta
Numa reviravolta de cor
De amor e luz
De um transpor que seduz
O recolher do capuz

Posso estar morto
Envolto em mortalha
Revolto em gasolina
Na fornalha a arder
Sem arrefecer a tristeza
Posso estar vivo
Quando respiro
O aroma a pairar
Do teu atravessar longinco
Quando sinto perto de mim
A tua delicadeza
Neste recanto do mundo…

18/05/2017

EU SEI EDUCAR

Depois teremos a parte em que os outros fazem exactamente o que lhes apetece quando privam com o teu filho. Aqui era preciso Cristo descer novamente à terra para que tudo fosse pacífico.


Com três meses e dez dias desde que fui Pai chegou finalmente a hora de vos dar algumas dicas de como devem educar os vossos filhos. Existem vários aspectos e pontos cruciais que vos vejo falhar redondamente e com esta experiência acumulada não posso deixar de vos ajudar, mesmo que não tenham pedido a minha opinião. O mais importante de tudo é que desde o início não devem dar importância nenhuma, ignorem mesmo, a opinião dos outros. Poderá parecer um contra-senso eu dizer que vos vou dar dicas e, passado duas linhas, alertar que não deverão seguir qualquer instrução dos outros.

Mas seguiremos com o nosso raciocínio e por favor sorriam quando aqueles que já são Pais, principalmente estes, se acharem no direito de vos encaminhar para determinado comportamento. Eles são implacáveis e tenderão em dizer que o que fazemos não está a ser bem feito e a frase que mais ouvirão será :“olha que depois ele habitua-se!” Se, mais tarde, os nossos filhos se transformarem em pessoas imbecis e delinquentes é importante que isso seja porque fomos nós, juntamente com as nossas crianças – porque elas também têm culpa no cartório – não fizemos um bom trabalho. Não poderemos mais tarde ir bater à porta de um amigo ou familiar e dizer : “Olha lá, disseste que eu deveria deixá-lo chorar, para que ele aprendesse que não poder ter tudo o que quer, e repara bem na bela porcaria de gente que ele se tornou!”
Por isso eu diria que, como em tudo o que queremos, temos que assumir as rédeas. Se toda a gente diz que deves ir para a direita e se tiveres a certeza que o melhor caminho é para a esquerda, embora seja mais penoso, por favor vira já. Se te sentes bem que o teu filho durma na tua cama, pois que durma. Se ele se tranquiliza na mama e se achas que o deves fazer, então vamos embora a dar mama. Se achas que o teu filho fica menos chato porque lhe dás uma bolacha ou uma fatia de bolo, pois deixa-o falar à vontade mas não lhe dês o que sabes que lhe vai fazer mal.

Depois teremos a parte em que os outros fazem exactamente o que lhes apetece quando privam com o teu filho. Aqui era preciso Cristo descer novamente à terra para que tudo fosse pacífico. Por mim acho que bastaria dizer-lhes: “o filho é meu e por favor respeita o que eu quero!” Mas não chega e ignorarem o que dizemos deixa-nos com pele de galinha. Qual é a parte que não perceberam? Se calhar as vossas mães não vos trataram das cólicas como deveria de ser. Imagino que só possa ter sido isso. Todos sabemos que as cólicas são tramadas e então aqui eu diria que existem, no mínimo, trezentas e cinquenta e sete maneiras de aliviar os nossos bebés. E tudo o que tenha a ver com intestinos, todos sabemos, mete muita porcaria. A minha dica aqui, e é um facto indesmentível, é que vai passar. Tudo o resto vale um saco de farinha roto. Em desespero tenta-se tudo, e do tudo que tentámos ainda haverá alguém a perguntar se fizemos massagens na barriga.

Bom, mas o que me levou a iniciar esta sebenta é que ontem começou a nascer o primeiro dente à minha filha. É um momento super emocionante para quem tem o primeiro filho e claro que hoje, quando cheguei ao trabalho, dei esta tremenda novidade com toda a emoção que o momento proporciona. A malta ficou toda maluca com a novidade e era vê-los aos pulos. Houve dois deles que foi preciso ir agarrá-los para pararem de saltar com tanta alegria. Quem é que não gosta de ouvir a evolução dos filhos dos outros? Infelizmente daqui para a frente não vos posso ajudar mais, mas penso que para aqueles que irão fazer a primeira viagem este texto poderá tornar-se numa espécie de bíblia para recém-nascidos - já imagino as enfermeiras nas aulas de pré-parto a distribuírem duas folhinhas no início de cada curso. É importante referir que até ao primeiro dente aprendi também bastante com todas as pessoas que fizeram questão de partilhar a tremenda alegria que é ter um filho. Não posso ser injusto ao ponto de dizer que o ideal é parirmos os nossos filhos em grutas no meio de uma floresta onde dificilmente se encontra alguém. As pessoas fazem falta nas nossas vidas. Todas são importantes e de uma tremenda ajuda. Quando estão caladas dirão alguns. Quando estão longe dirão outros. Eu prefiro não ter que escolher uma das duas.






Nota importantíssima: Não me canso de agradecer mas na verdade estamos a chegar às cem mil visualizações. Obrigado por isso.



16/05/2017

SOBERBO SOBRAL

Eu também gostava de dizer à minha filha que tinha ganho o festival da canção… e acho que, mais tarde, o posso dizer.

E Sobral espeta-nos mais um caneco para o nosso orgulho nacional. Num País onde não se ganhava nada e de repente começamos a ganhar como se também tivéssemos direito a isso. Os Portugueses não fazem bem ideia de como se celebra uma vitória: O que é que se tem que fazer? Levantar os braços e festejar? Não sabemos ao certo e sem jeito nenhum para celebrações e primeiros lugares vencemos bem mais do que um simples festival da canção. Sobral mostra ao mundo que ser diferente por si só não chega. A simplicidade e o sentimento/amor fazem maravilhas e sem nunca se deixar levar por uma onda de “parecer bem” cerra os dentes com uma simplicidade e genuinidade que não deixa qualquer espaço para dúvidas da sua personalidade. Claro que o grande mérito deveria ser sempre de quem criou a música, porque a arte está em quem a cria e raras as vezes o cantor ou interprete tem esta relevância. Porque cantar bem há muita gente que canta, mas sentir o que nos sai pela “boca” está ao alcance de poucos cantores, escritores, compositores, etc. Luísa fez um trabalho fenomenal e o seu irmão deu-lhe uma roupagem que mais ninguém a poderia dar. Eu também gostava de dizer à minha filha que tinha ganho o festival da canção… e acho que, mais tarde, o posso dizer.

08/05/2017

COMEÇA A TRAULITADA - ÁMEN

Há hotéis a pedir quinhentos a mil euros por noite e por muito que se acredite, a fé não pode estar em todo o lado - nestes casos a mesma é substituída por uma fezada de todo o tamanho para os cofres destes meninos.



Os peregrinos já se puseram ao caminho e os delatores anunciam que já começou a traulitada. Vão-se sugerindo aos caminhantes que o façam de noite e usem coletes reflectores. Não há fé que resista a um atropelamento e nada seria mais injusto que isso. Tudo bem que é preciso acreditar, mas ser varrido numa altura em que, com enorme esforço, cumprimos uma promessa não deve ser fácil de digerir (caso tenhamos ficados vivos). Pede-se por isso a todos – condutores e peregrinos – os olhos bem abertos e deixem, pelo menos até chegarem aos vossos destinos, as rezas e promessas de lado. A atenção deve, e tem, que ser sempre máxima. Há pessoas que vêm de bastante longe e é de louvar o sacrifício por algo que supostamente não existe - não nas promessas ou no próprio Papa que esse, eu sei, que está ali rijo e manda, de vez em quando, umas farpas bem engraçadas, mas o que não existe é bom senso nestas alturas.

Cada um acredita no que quiser, não estou aqui a julgar isso, mas eu próprio já fui a Fátima. A minha mãe pediu para eu acender uma vela por ela e por cada membro da família. A minha prima pediu para por uma vela pelo nosso primo que andava metido em maus caminhos. A minha vizinha implorou que eu pusesse uma das velas maiores e a deixasse arder num cantinho em honra do seu falecido Pai. Só em velas eu gastei um balúrdio. Não sei qual é o preço da cera, mas bem dita a hora em que nenhum meio de transporte se locomove com este material.

Os delatores não se ficaram por aqui e denunciaram os preços astronómicos das estadias com a vinda do Papa. Há hotéis a pedir quinhentos a mil euros por noite e por muito que se acredite, a fé não pode estar em todo o lado - nestes casos a mesma é substituída por uma fezada de todo o tamanho para os cofres destes meninos. O negócio dos apetrechos rapidamente se pôs também a caminho, e aqui sem quaisquer coletes reflectores porque assim podíamos identificar os bandidos, existe uma panóplia de «Nossas Senhoras.» Temos desde saca-rolhas a guarda-chuvas e não há nada que não se venda.

Na minha ida a Fátima, quando eu caminhava para conhecer o Santuário, uma Senhora de meia-idade, sem me dizer uma única palavra, colou-me um autocolante no peito, ainda por cima junto ao coração, e no meio de umas preces pouco perceptíveis exigiu quatro euros em benefício de uma caridade que não seria mais nenhuma do que o seu próprio proveito. Eu bem lhe disse que havia um segredo de Fátima que poucos conheciam: Nossa Senhora era dotada de um raio fulminante que elegia, todos os meses, os cinco piores impostores para lhes rachar a pinha ao meio. Ficou pouco impressionada com tamanha revelação porque de imediato colou mais dois autocolantes num casal que por ali passava e, nitidamente, um deles estava fragilizado: Caminhava de joelhos e naquele momento negar quatro euros a quem lhe vem pedir ajuda não deve ser fácil. Até porque todos nós estamos a ser vigiados pelas nossas acções e mesmo de joelhos sacou da carteira e ajudou a pobre e impostora mulher. Segui o meu caminho com a fé a esmorecer um bocadinho, confesso, mas não podia que tais acontecimentos mundanos, por mais fraudulentos que fossem, abalassem a minha crença e convicção. Não passaram mais do que quinze minutos até que avistasse uma idosa a chorar copiosamente. Não me aproximei de imediato não fosse a desgraçada da velha ser mais uma burla com uma engenhoca engendrada. Mas não, a pobre Velhota só pedia saúde e sorte para os seus netos. Não sei a quem é que ela pediu, mas pelo menos na saúde se eles seguirem os conselhos do Dr. Manuel Pinto Coelho será meio caminho andado para que eles cresçam fortes e vigorosos. Ele bem avisa que o açúcar é um veneno e por muita fé que se tenha convém, a todos, começar a pô-lo de lado. Eu sei que há doces e bolos óptimos mas Nossa Senhora não pode estar em todo o lado (acho eu).

04/05/2017

IGUALMENTE UMA BESTA

Desde pequenino sempre soube o que queria mas infelizmente a vida pôs-se no caminho.


Desde pequenino sempre soube o que queria mas infelizmente a vida pôs-se no caminho. Já quis ser tudo e mais alguma coisa e quando finalmente cheguei à conclusão que não queria ser nada, a vida obrigou-me a ser qualquer coisa. O simples facto de existir, embora seja estranho, faz com que tenhamos que assumir variadíssimos papéis. Depois há aqueles que dizem que os outros, ou determinadas pessoas, não os deixam ser quem eles verdadeiramente são. E aqui surge a inevitável pergunta: Quando somos verdadeiramente nós?
Eu se estiver com a minha mãe não me comporto da mesma maneira do que quando estou com um amigo. Se estiver com um cliente não tenho o mesmo à vontade do que quando estou com o Manuel a beber um café. Com isto não quer dizer que eu esteja a ser falso (penso eu), simplesmente estou a adaptar o meu comportamento de acordo com quem estou. Eu aceito que outras pessoas não o façam - que são sempre “puros” e o que lhes chega ao cérebro é o que sai pela boca. Venha quem vier estas pessoas estão sempre no mesmo registro. De facto, de início dá a sensação que estamos perante pessoas notáveis. Passado um tempo, não muito, o tal “notável” começa a esmorecer um bocadinho. Mas como dizem que cada tacho tem a sua tampa, embora, com pena minha, existam tampas que não vedam bem o vapor que se acumula, acredito que o equilíbrio se faça de pessoas magnificas como nós e depois aqueles que SÃO na sua essência umas bestas. Para que eles não se sintam ofendidos sugeria que na presença destes perigosos e “puros” animais fossemos um pouco o que eles gostam e estão habituados: Seres que mantêm o mesmo comportamento seja, perante um cão ou uma pessoa – busca Pantufas, busca. Isso mesmo, lindo menino, agora saia de cima do sofá.