07/08/2017

SÓ ENFRENTA QUEM AGUENTA! (ou não)

Voltei a por os pés em ramo verde. Foi uma escolha minha não há nada que me possa queixar.


A puta da sorte dá um trabalho do caralho -desculpem começar um texto com esta delicadeza mas há palavras que não conseguem exprimir tão bem aquilo que se quer dizer como estas belíssimas duas.
Fora este aparte estou de novo, tal e qual como uma fenix, a levar pancada de todos os lados. Não conheço nada, não conheço ninguém, não sei daqui a uma hora o que pode acontecer e a estrutura para ganhar uma rotina (daquelas rotinas que todos se queixam) demora a estabilizar. É verdade, sai de novo de Portugal. Voltei a por os pés em ramo verde. Foi uma escolha minha não há nada que me possa queixar. Mas não me digam, por favor , que mais uma vez tive sorte. Não critico e até invejo de quem gosta e, principalmente, quem consegue manter a sua estrutura. Poderá não haver nada melhor do que isso. Mas por vezes há. E aqui eu tenho uma opinião diferente, somente isso. Não sou melhor, e já agora nem pior, do que ninguém. Agora, como um jogador de futebol, há que levantar a cabeça. Era somente isto e reparem que de uma forma subtil, sem ofender ninguém, mandei uns quantos para a Puta que os pariu!

02/08/2017

SÓ ESTÁ AO ALCANCE DOS GRANDES GÉNIOS

Nasceu outro Guru do futebol com um profundo entendimento da essência filosófica.
A seguir a Abel Xavier que nos encanta com a sua dissertação sobre a palavra “Treinador”, onde com uma simples separação da palavra revela que o Treinador “treina” a “dor”, assim como o canalizador é homem para canalizar qualquer tipo de dor, aparece-nos outro Abel, desta vez o Ferreira e diz-nos que “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo!”
Era isto que eu andava a tentar-vos dizer há anos mas não arranjava as palavras certas para o dizer. Finalmente!

09/06/2017

AS 10 COISAS QUE AS PESSOAS INTELIGENTES NUNCA FAZEM

Quem é que não quer ver se é inteligente ao ponto de não fazer certas coisas que os “ditos” inteligentes também não fazem?



O titulo deste texto é dos mais apelativos que tenho visto. Quem é que não quer ver se é inteligente ao ponto de não fazer certas coisas que os “ditos” inteligentes também não fazem? “Ora deixa cá ver se eu afinal sou ou não inteligente!”
É preciso ter em atenção alguns factores:
1º) A pessoa que escreveu esses tais 10 itens é inteligente ou fez uma pesquisa dos que as pessoas inteligentes não fazem? Se é efectivamente inteligente presumo que não perderia tempo com uma espécie de revelação que já de si não parece ser muito inteligente. Se realmente não foi bafejado pela inteligência e anda atenta ao que as pessoas inteligentes não fazem, então chegar-nos-á, para sermos inteligentes, não fazermos essas 10 coisas? Parece óbvio que somente isso não chega. Então surge-nos a primeira conclusão: não basta um texto para passarmos para o lado de lá. Para o lado das pessoas inteligentes.

Sigamos com o raciocínio e com um segundo factor que promete arrasar com a maioria dos aspirantes a inteligentes: nada como irmos à origem da palavra e percebermos a definição de “inteligência”, sendo ela: Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstracção e concepção). Esta definição é de facto aterradora e aniquila, quase por completo, com uma suposta e simples aspiração. E é aqui que o vosso ego vos diz que as pessoas que não são inteligentes, também elas são importantes para o suposto equilíbrio do planeta. Claro que sim e o vosso ego, neste caso, tem toda a razão. Não é de todo, confesso, assim tão deslumbrante estar deste lado. Alguém tinha que vos chamar à razão e viver na ilusão nunca foi e nunca será vantajoso para ambas as partes. Mas há muitas outras aspirações possíveis e também elas apetecíveis que estão ao vosso alcance. Não desanimem até porque a felicidade está intimamente ligada com a ignorância. E quem é que não quer ser feliz? Certamente que todas as pessoas que são inteligentes têm essa ambição.

02/06/2017

NÃO SOU GAY E QUERO ADOTAR

Eu imagino a capacidade destas bestas que passados três ou quatro meses chegam com a criança às respectivas instituições e dizem, como se de um brinquedo estragado se tratasse, que afinal não era bem isto que imaginavam: “choram muito, fazem birras e precisam que lhes façam as coisas todas.”



Ontem foi o dia da criança e foi bonito ver a enxurrada de gente a demonstrar carinho e amor pela pequenada. Este dia não é como tantos outros que há por aí. Digo isto sem qualquer desprimor para com os outros dias mas as crianças são, juntamente com os idosos, seres que dependem exclusivamente de nós. Não sei se há o “Dia do Velho” mas se ainda não decretaram esse dia, permitam-me sugeri-lo porque têm todo o direito. Ora, o dia da criança também nos trouxe dados que são, no mínimo, curiosos. Vejamos: o ano passado foram devolvidas quarenta e três crianças que tinham sido adoptadas. Sendo que metade delas tinham menos de dois anos. Quantos de nós já não ouvimos que a burocracia para se adoptar uma criança é muito complicada e todos nos empoleiramos, com conhecimento nulo das situações, e dizemos que é uma vergonha? Eu também acho que é uma vergonha porque parece que existe um período de seis meses de adaptação e uma espécie de experimentalismo. Não estou minimamente contra este período porque as pessoas que devolvem as crianças permitem revelar muito do seu caracter. Eu imagino a capacidade destas bestas que passados três ou quatro meses chegam com a criança às respectivas instituições e dizem, como se de um brinquedo estragado se tratasse, que afinal não era bem isto que imaginavam: “choram muito, fazem birras e precisam que lhes façam as coisas todas.” A Senhora que deu a cara por esta situação explicava que é muito difícil saber se, efectivamente, as pessoas que querem adoptar têm ou não a capacidade e vontade para o fazer. Imagino que sim. É como ir a uma entrevista de emprego. Qualquer camafeu tenta mostrar o melhor de si e só um maluco diria: “olhe eu só de ouvir a palavra trabalho dá-me vontade de o espancar com um ferro em brasa” Mas o problema é que estamos a falar de um ser pequenino, indefeso e que pela segunda vez, na sua curta vida, é rejeitado por “pessoas” que deveriam morrer cedo. A morte não se deseja a pessoas. Tudo o resto que não contribua para o ecossistema tem que, impreterivelmente, ser varrido do planeta. Por isso é que me dá pele de galinha quando ouço que os casais “gays” não deveriam adoptar. Mas eu quero lá saber se é gay, preto, amarelo ou às pintinhas. Desde quando é que a capacidade de uma pessoa, neste caso duas, é proporcional ou equivalente ao sexo, cor, raça, religião ou tendência sexual? Se no vosso mundo é assim então sugiro uma coisa: Árvores com galhos e uns primatas para desabafarem.

25/05/2017

SORTE OU AZAR? AJUDE-NOS A DESCOBRIR

Vamos a um exemplo prático para que o leitor possa de uma forma clara perceber do que se trata. Aqui eu incluo o leitor para que ele possa participar directamente, caso assim o entenda, num estudo que depende única e exclusivamente dele para avançar.


De acordo com um estudo, embora não seja científico porque foi efectuado por mim, a sorte está intimamente ligada com dois factores: a preparação e a oportunidade. Como foi um estudo que não teve qualquer comparticipação de patrocínios ou apoio de qualquer entidade estatal, não poderei, infelizmente, adiantar muito mais do que estas duas premissas. Não porque eu esteja a esconder a informação e a não queira partilhar, mas porque necessitaria de mais meios, e principalmente tempo, para aprofundar este estudo. Os indicadores, segundo o estudo, acabam por ser positivos porque a sorte não é lançada ao acaso. Parece que existem bases sólidas para que ele possa surgir com maior frequência nas nossas vidas. Não poderemos, segundo os indicadores, mandar farpas a um vizinho ou a um amigo caso ele tenha mais sorte que nós. Tudo indica que ele tenha investido o seu tempo numa determinada preparação que se conjugou com uma certa oportunidade. Claro está que todos os estudos, e principalmente este porque ainda é imberbe, não contemplam factores de acidente ou os chamados em termos técnicos – extraordinários. Vamos a um exemplo prático para que o leitor possa de uma forma clara perceber do que se trata. Aqui eu incluo o leitor para que ele possa participar directamente, caso assim o entenda, num estudo que depende única e exclusivamente dele para avançar: deixarei o meu NIB no final deste texto para todos aqueles que queiram e tenham a pretensão de ver a tão aclamada sorte ser desmontada e, no fundo, desmascarada perante a nossa sociedade. Vamos então ao tal exemplo: Imaginemos um sujeito, poder-lhe-emos chamar Jacinto, que estava sentado num banco de jardim e um pombo lhe defeca em cima do ombro. A pergunta imediata que surge, é: teve azar? O estudo pegaria neste problema de uma outra forma, numa diferente perspectiva: o que estava o Jacinto a fazer, aquela hora, no banco do jardim? ; Não tinha trabalho para fazer? ; Não estaria a mulher do Jacinto a precisar da sua ajuda? Ou seja, poderíamos estar perante um caso onde o azar se transformaria numa oportunidade. Num antecipar ou precipitar de determinada acção que o Jacinto teria que desenvolver. Espero que o leitor perceba que precisarei de ter tempo disponível para me dedicar a tempo inteiro a este estudo e, posteriormente a estudos que poderão sugerir. Agradeço desde já a vossa disponibilidade e ajuda.

NIB: 0018.00003.7260273001.59

24/05/2017

MOMENTOS POÉTICOS - RUI BARREIROS

Rui Barreiros é um poeta com um livro publicado e com o segundo prometido para o próximo ano. Filho do pintor e músico José Raimundo. Uma pessoa simples e humilde, tão humilde que acedeu ao convite de nos presentear com alguns dos seus poemas e ainda por cima num espaço conspurcado como este. Tentaremos que ele aceda à difícil missão de, periodicamente, nos dar a esse luxo. Um muito obrigado Rui Barreiros.









Cria saltar


Cria saltar
Talvez devagar
Numa queda lenta
Interminável
Sem onde aterrar
Repousar o corpo
Deixar pairar a alma

Cria viajar
Talvez sem sentido
Sem caminho predefinido
Perdido
Numa rota indiferente
De espirito ausente

Posso estar farto
De me fartar
Do cansaço intermitente
Deprimente, incoerente
Posso estar exausto
De o estar
De procurar o celibato
O isolamento

Cria voltar
A sonhar ao de leve
Num breve suspirar
De ar, de suavidade
De transparência
De clarividência
Retornar a nascer
A crescer novo

Cria criar
O Tornar puro
O Céu escuro
A escuridão envolta
Numa reviravolta de cor
De amor e luz
De um transpor que seduz
O recolher do capuz

Posso estar morto
Envolto em mortalha
Revolto em gasolina
Na fornalha a arder
Sem arrefecer a tristeza
Posso estar vivo
Quando respiro
O aroma a pairar
Do teu atravessar longinco
Quando sinto perto de mim
A tua delicadeza
Neste recanto do mundo…

18/05/2017

EU SEI EDUCAR

Depois teremos a parte em que os outros fazem exactamente o que lhes apetece quando privam com o teu filho. Aqui era preciso Cristo descer novamente à terra para que tudo fosse pacífico.


Com três meses e dez dias desde que fui Pai chegou finalmente a hora de vos dar algumas dicas de como devem educar os vossos filhos. Existem vários aspectos e pontos cruciais que vos vejo falhar redondamente e com esta experiência acumulada não posso deixar de vos ajudar, mesmo que não tenham pedido a minha opinião. O mais importante de tudo é que desde o início não devem dar importância nenhuma, ignorem mesmo, a opinião dos outros. Poderá parecer um contra-senso eu dizer que vos vou dar dicas e, passado duas linhas, alertar que não deverão seguir qualquer instrução dos outros.

Mas seguiremos com o nosso raciocínio e por favor sorriam quando aqueles que já são Pais, principalmente estes, se acharem no direito de vos encaminhar para determinado comportamento. Eles são implacáveis e tenderão em dizer que o que fazemos não está a ser bem feito e a frase que mais ouvirão será :“olha que depois ele habitua-se!” Se, mais tarde, os nossos filhos se transformarem em pessoas imbecis e delinquentes é importante que isso seja porque fomos nós, juntamente com as nossas crianças – porque elas também têm culpa no cartório – não fizemos um bom trabalho. Não poderemos mais tarde ir bater à porta de um amigo ou familiar e dizer : “Olha lá, disseste que eu deveria deixá-lo chorar, para que ele aprendesse que não poder ter tudo o que quer, e repara bem na bela porcaria de gente que ele se tornou!”
Por isso eu diria que, como em tudo o que queremos, temos que assumir as rédeas. Se toda a gente diz que deves ir para a direita e se tiveres a certeza que o melhor caminho é para a esquerda, embora seja mais penoso, por favor vira já. Se te sentes bem que o teu filho durma na tua cama, pois que durma. Se ele se tranquiliza na mama e se achas que o deves fazer, então vamos embora a dar mama. Se achas que o teu filho fica menos chato porque lhe dás uma bolacha ou uma fatia de bolo, pois deixa-o falar à vontade mas não lhe dês o que sabes que lhe vai fazer mal.

Depois teremos a parte em que os outros fazem exactamente o que lhes apetece quando privam com o teu filho. Aqui era preciso Cristo descer novamente à terra para que tudo fosse pacífico. Por mim acho que bastaria dizer-lhes: “o filho é meu e por favor respeita o que eu quero!” Mas não chega e ignorarem o que dizemos deixa-nos com pele de galinha. Qual é a parte que não perceberam? Se calhar as vossas mães não vos trataram das cólicas como deveria de ser. Imagino que só possa ter sido isso. Todos sabemos que as cólicas são tramadas e então aqui eu diria que existem, no mínimo, trezentas e cinquenta e sete maneiras de aliviar os nossos bebés. E tudo o que tenha a ver com intestinos, todos sabemos, mete muita porcaria. A minha dica aqui, e é um facto indesmentível, é que vai passar. Tudo o resto vale um saco de farinha roto. Em desespero tenta-se tudo, e do tudo que tentámos ainda haverá alguém a perguntar se fizemos massagens na barriga.

Bom, mas o que me levou a iniciar esta sebenta é que ontem começou a nascer o primeiro dente à minha filha. É um momento super emocionante para quem tem o primeiro filho e claro que hoje, quando cheguei ao trabalho, dei esta tremenda novidade com toda a emoção que o momento proporciona. A malta ficou toda maluca com a novidade e era vê-los aos pulos. Houve dois deles que foi preciso ir agarrá-los para pararem de saltar com tanta alegria. Quem é que não gosta de ouvir a evolução dos filhos dos outros? Infelizmente daqui para a frente não vos posso ajudar mais, mas penso que para aqueles que irão fazer a primeira viagem este texto poderá tornar-se numa espécie de bíblia para recém-nascidos - já imagino as enfermeiras nas aulas de pré-parto a distribuírem duas folhinhas no início de cada curso. É importante referir que até ao primeiro dente aprendi também bastante com todas as pessoas que fizeram questão de partilhar a tremenda alegria que é ter um filho. Não posso ser injusto ao ponto de dizer que o ideal é parirmos os nossos filhos em grutas no meio de uma floresta onde dificilmente se encontra alguém. As pessoas fazem falta nas nossas vidas. Todas são importantes e de uma tremenda ajuda. Quando estão caladas dirão alguns. Quando estão longe dirão outros. Eu prefiro não ter que escolher uma das duas.






Nota importantíssima: Não me canso de agradecer mas na verdade estamos a chegar às cem mil visualizações. Obrigado por isso.



16/05/2017

SOBERBO SOBRAL

Eu também gostava de dizer à minha filha que tinha ganho o festival da canção… e acho que, mais tarde, o posso dizer.

E Sobral espeta-nos mais um caneco para o nosso orgulho nacional. Num País onde não se ganhava nada e de repente começamos a ganhar como se também tivéssemos direito a isso. Os Portugueses não fazem bem ideia de como se celebra uma vitória: O que é que se tem que fazer? Levantar os braços e festejar? Não sabemos ao certo e sem jeito nenhum para celebrações e primeiros lugares vencemos bem mais do que um simples festival da canção. Sobral mostra ao mundo que ser diferente por si só não chega. A simplicidade e o sentimento/amor fazem maravilhas e sem nunca se deixar levar por uma onda de “parecer bem” cerra os dentes com uma simplicidade e genuinidade que não deixa qualquer espaço para dúvidas da sua personalidade. Claro que o grande mérito deveria ser sempre de quem criou a música, porque a arte está em quem a cria e raras as vezes o cantor ou interprete tem esta relevância. Porque cantar bem há muita gente que canta, mas sentir o que nos sai pela “boca” está ao alcance de poucos cantores, escritores, compositores, etc. Luísa fez um trabalho fenomenal e o seu irmão deu-lhe uma roupagem que mais ninguém a poderia dar. Eu também gostava de dizer à minha filha que tinha ganho o festival da canção… e acho que, mais tarde, o posso dizer.

08/05/2017

COMEÇA A TRAULITADA - ÁMEN

Há hotéis a pedir quinhentos a mil euros por noite e por muito que se acredite, a fé não pode estar em todo o lado - nestes casos a mesma é substituída por uma fezada de todo o tamanho para os cofres destes meninos.



Os peregrinos já se puseram ao caminho e os delatores anunciam que já começou a traulitada. Vão-se sugerindo aos caminhantes que o façam de noite e usem coletes reflectores. Não há fé que resista a um atropelamento e nada seria mais injusto que isso. Tudo bem que é preciso acreditar, mas ser varrido numa altura em que, com enorme esforço, cumprimos uma promessa não deve ser fácil de digerir (caso tenhamos ficados vivos). Pede-se por isso a todos – condutores e peregrinos – os olhos bem abertos e deixem, pelo menos até chegarem aos vossos destinos, as rezas e promessas de lado. A atenção deve, e tem, que ser sempre máxima. Há pessoas que vêm de bastante longe e é de louvar o sacrifício por algo que supostamente não existe - não nas promessas ou no próprio Papa que esse, eu sei, que está ali rijo e manda, de vez em quando, umas farpas bem engraçadas, mas o que não existe é bom senso nestas alturas.

Cada um acredita no que quiser, não estou aqui a julgar isso, mas eu próprio já fui a Fátima. A minha mãe pediu para eu acender uma vela por ela e por cada membro da família. A minha prima pediu para por uma vela pelo nosso primo que andava metido em maus caminhos. A minha vizinha implorou que eu pusesse uma das velas maiores e a deixasse arder num cantinho em honra do seu falecido Pai. Só em velas eu gastei um balúrdio. Não sei qual é o preço da cera, mas bem dita a hora em que nenhum meio de transporte se locomove com este material.

Os delatores não se ficaram por aqui e denunciaram os preços astronómicos das estadias com a vinda do Papa. Há hotéis a pedir quinhentos a mil euros por noite e por muito que se acredite, a fé não pode estar em todo o lado - nestes casos a mesma é substituída por uma fezada de todo o tamanho para os cofres destes meninos. O negócio dos apetrechos rapidamente se pôs também a caminho, e aqui sem quaisquer coletes reflectores porque assim podíamos identificar os bandidos, existe uma panóplia de «Nossas Senhoras.» Temos desde saca-rolhas a guarda-chuvas e não há nada que não se venda.

Na minha ida a Fátima, quando eu caminhava para conhecer o Santuário, uma Senhora de meia-idade, sem me dizer uma única palavra, colou-me um autocolante no peito, ainda por cima junto ao coração, e no meio de umas preces pouco perceptíveis exigiu quatro euros em benefício de uma caridade que não seria mais nenhuma do que o seu próprio proveito. Eu bem lhe disse que havia um segredo de Fátima que poucos conheciam: Nossa Senhora era dotada de um raio fulminante que elegia, todos os meses, os cinco piores impostores para lhes rachar a pinha ao meio. Ficou pouco impressionada com tamanha revelação porque de imediato colou mais dois autocolantes num casal que por ali passava e, nitidamente, um deles estava fragilizado: Caminhava de joelhos e naquele momento negar quatro euros a quem lhe vem pedir ajuda não deve ser fácil. Até porque todos nós estamos a ser vigiados pelas nossas acções e mesmo de joelhos sacou da carteira e ajudou a pobre e impostora mulher. Segui o meu caminho com a fé a esmorecer um bocadinho, confesso, mas não podia que tais acontecimentos mundanos, por mais fraudulentos que fossem, abalassem a minha crença e convicção. Não passaram mais do que quinze minutos até que avistasse uma idosa a chorar copiosamente. Não me aproximei de imediato não fosse a desgraçada da velha ser mais uma burla com uma engenhoca engendrada. Mas não, a pobre Velhota só pedia saúde e sorte para os seus netos. Não sei a quem é que ela pediu, mas pelo menos na saúde se eles seguirem os conselhos do Dr. Manuel Pinto Coelho será meio caminho andado para que eles cresçam fortes e vigorosos. Ele bem avisa que o açúcar é um veneno e por muita fé que se tenha convém, a todos, começar a pô-lo de lado. Eu sei que há doces e bolos óptimos mas Nossa Senhora não pode estar em todo o lado (acho eu).

04/05/2017

IGUALMENTE UMA BESTA

Desde pequenino sempre soube o que queria mas infelizmente a vida pôs-se no caminho.


Desde pequenino sempre soube o que queria mas infelizmente a vida pôs-se no caminho. Já quis ser tudo e mais alguma coisa e quando finalmente cheguei à conclusão que não queria ser nada, a vida obrigou-me a ser qualquer coisa. O simples facto de existir, embora seja estranho, faz com que tenhamos que assumir variadíssimos papéis. Depois há aqueles que dizem que os outros, ou determinadas pessoas, não os deixam ser quem eles verdadeiramente são. E aqui surge a inevitável pergunta: Quando somos verdadeiramente nós?
Eu se estiver com a minha mãe não me comporto da mesma maneira do que quando estou com um amigo. Se estiver com um cliente não tenho o mesmo à vontade do que quando estou com o Manuel a beber um café. Com isto não quer dizer que eu esteja a ser falso (penso eu), simplesmente estou a adaptar o meu comportamento de acordo com quem estou. Eu aceito que outras pessoas não o façam - que são sempre “puros” e o que lhes chega ao cérebro é o que sai pela boca. Venha quem vier estas pessoas estão sempre no mesmo registro. De facto, de início dá a sensação que estamos perante pessoas notáveis. Passado um tempo, não muito, o tal “notável” começa a esmorecer um bocadinho. Mas como dizem que cada tacho tem a sua tampa, embora, com pena minha, existam tampas que não vedam bem o vapor que se acumula, acredito que o equilíbrio se faça de pessoas magnificas como nós e depois aqueles que SÃO na sua essência umas bestas. Para que eles não se sintam ofendidos sugeria que na presença destes perigosos e “puros” animais fossemos um pouco o que eles gostam e estão habituados: Seres que mantêm o mesmo comportamento seja, perante um cão ou uma pessoa – busca Pantufas, busca. Isso mesmo, lindo menino, agora saia de cima do sofá.

20/04/2017

AQUI HÁ IMENSO LIXO (NÃO ENTREM)

É verdade que não mudo a vida de ninguém com textos inspiradores. Nunca na vida alguém sairá daqui mais culto, informado, ou com o sentido da vida mais apurado.




Ontem, inesperadamente, bateram-me nas costas e disseram “É pá, sim Senhor… li aquele teu texto sobre a morte e fartei-me de rir!”. Confesso que me senti como se fosse uma garbosa figura pública e instintivamente procurei a minha caneta para assinar qualquer papelinho e agradecer o suposto elogio. Claro que rapidamente me passou este massajar do ego, mas é de facto um privilégio e uma honra continuar a escrever e descobrir que pessoas, que nunca na vida imaginaria que poderiam vir a este espaço, o fazem regularmente e ainda por cima com prazer. Porém, o elogio vir de alguém que se ri de um texto sobre a nossa própria finitude poderá, na maior parte das vezes, não ser a melhor forma de partilhar o seu apreço. Neste caso, e para mim, foi ainda mais saboroso.

Como sabemos tudo na vida só faz sentido com partilha, por muito que se diga ou se tente acreditar no contrário. É verdade que não mudo a vida de ninguém com textos inspiradores. Nunca na vida alguém sairá daqui mais culto, informado, ou com o sentido da vida mais apurado. Temos sempre a tendência (e eu também a tenho) de comparar textos, livros, pensamentos como se uns fossem melhores, ou mais válidos, que outros. No fundo a minha intenção, nos textos que partilho, é que descubram que há pessoas que não têm, rigorosamente, nada para vos oferecer. Se continuam a vir aqui – pensem nisto – faz com que vocês se tornem melhores pessoas. Gente que não espera nada em troca.

Um dia destes à conversa com o Rui Pedro ele disse-me que tinha ido passar uns dias a Angola. O Rui embora seja uma pessoa baixinha, equilibra a balança com a sua alta capacidade de tratar bem as pessoas. Quando se é director de alguma coisa, nem que seja de uma obra, fica-se com a tendência e convicção de que um ar sério e distante seja a melhor forma de liderar. Bem, mas cada um lidera como pode e sabe e se Deus Nosso Senhor já tem as suas falhas imaginem um homem das obras. Voltando a Angola, pode parecer um cliché dizer isto, mas aquela terra deixa marcas profundas e das primeiras coisas que me contou foi que nos condomínios havia, novamente, falta de água e luz - como no início quando “caímos” naquela realidade. Ficará para outra altura um texto sobre aquele País, aquela gente e aquela família, mas, e tentando fazer um paralelismo, Angola com o pouco ou nada que aparentemente nos tem para oferecer se transforma num sítio muito parecido com este espaço. É certo que um pouco maior, com mais calor e muito provavelmente com mais mosquitos, mas o lixo nas bermas das estradas deve ser idêntico e quase o mesmo. Quem se concentra somente no lixo pode correr o sério risco de sair (de qualquer um dos sítios) com ainda mais porcaria na bagagem de que quando entrou. Se for para isso, diria que mais vale a pena não entrar.

17/04/2017

NO FUTEBOL HÁ MUITA GENTE QUE BATEU COM A CABEÇA

Eu, cada vez que vejo um aglomerado de gente a cantar coisas idênticas fico contente que as pessoas, por iniciativa própria, se reúnam e cantem em coro “Somos idiotas e estamos aqui!”



Quando se bate com a cabeça com alguma força é complicado. Deixa marcas profundas e por vezes para toda a vida. Tenho encontrado gente dessa. Precisamos ter coragem para conviver e ajudar caso seja necessário. Se prestarem atenção pouco falo de futebol mesmo por causa disso - existe muita gente que bateu com a cabeça. Não precisam de mais gente dessa. Mas torna-se inevitável não dar a minha opinião sobre uns cânticos que andam a ofender muita gente que bateu com a cabeça. Parece que um deles fala sobre a queda de um avião e outro sobre very-light. Eu, cada vez que vejo um aglomerado de gente a cantar coisas idênticas fico contente que as pessoas, por iniciativa própria, se reúnam e cantem em coro “Somos idiotas e estamos aqui!”. Poupam-nos de imenso trabalho. A identificação voluntária de estupidez sempre me fascinou. Admira-me é que as pessoas fiquem ofendidas por aquelas pessoas gritarem em plenos pulmões que gostam de ser ignóbeis. São uma marca registada dos imbecis e isso é de louvar. Não tentem educar o resto do mundo porque, provavelmente, a trabalheira vai ser enorme. Mesmo ontem, quando fui passear o meu cão, não apanhei o cocó quando ele defecou. Caso alguém me tenha visto não quero que se sinta ofendido com isso, mas sim que quando chegue a casa diga à mulher “Mesmo agora acabei de descobrir que o nosso vizinho é uma besta!”

11/04/2017

DEIXA-O-RESTO

Há um dos patos que passa o dia todo a afugentar o outro macho e, segundo a Tia, esquece-se por completo de fazer companhia às patas


Fomos visitar a Tia Sidónia. A visita costuma ser esporádica pela distância que nos separa: A Sidónia vive em Deixa-o-resto e nós em Lisboa. A Tia tem 84 anos e como sempre, se estivermos atentos e com disponibilidade, tem muito a nos ensinar. Falámos de temas que não são correntes no dia-a-dia porque não se encontra esta sabedoria ao virar da esquina. Começou por nos oferecer laranjas. Aceitámos de imediato e rapidamente me disse onde estava o escadote. Para os mais distraídos, como eu, poderíamos pensar que nos indicaria onde estava, à nossa espera, um saco de asas a um qualquer canto da cozinha, ou mesmo lá fora junto à porta da entrada. O escadote, ao invés do saco de plástico, dava-nos a possibilidade de escolher as melhores laranjas das diversas árvores que estavam plantadas ao longo do quintal. Enquanto me empoleirava na primeira árvore, a Tia Sidónia com uma vassoura em riste começou a ralhar com um dos patos que se cruzou no nosso caminho. E com toda a razão depois de nos explicar o porquê de tamanho raspanete: A Tia Sidónia tem dois patos e sete patas. Há um dos patos que passa o dia todo a afugentar o outro macho e, segundo a Tia, esquece-se por completo de fazer companhia às patas. Ou seja não quer que o outro se aproxime das patas, mas ele próprio, com esta obcessão, se afasta do essencial: As patas. Quantos de nós não nos afastamos da nossa própria essência esforçando-nos e desperdiçando energias com coisas, ou pessoas, que não interessam?
Assim, com laranjas e meia dúzia de patos, temos as nossas vidas espelhadas de uma forma tão básica e cruel que quando nos apercebemos chega a ser assustador. Guardei o escadote junto ao murete onde, inicialmente, o tinha ido buscar e já me dirigia para a porta de saída de mãos vazias quando me apercebi que me tinha esquecido das laranjas. Voltei para trás e aproveitei o momento para me despedir da Tia Sidónia com uma abraço apertado e naquele momento, e mais uma vez, o pato enfurecido corria desalmadamente atrás do outro. Fiz uma jura a mim mesmo: Ponho a minhas “patas” no fogo como vou estar cada vez mais atento às “patas” da minha vida.

03/04/2017

A HISTÓRIA DO PEDRO

Quem quer sentir o que é a eternidade basta perguntar ao Pedro como é que foi o seu fim-de-semana


O Pedro estava a contar uma história. Uma das muitas que conta. As histórias do Pedro, conheço-as eu bem, são intermináveis. Ele para dizer, por exemplo, que encontrou determinada pessoa ao sair do restaurante a seguir ao jantar, começa por contar como acordou sobressaltado com um sonho que teve. Relata todo o seu dia, com pormenores massudos e exaustos, levando qualquer um ao desespero. Esta história que ele contava era como tantas outras mas com uma agravante: Tínhamos uma pessoa nova no grupo que para ser simpática prestava toda a atenção e ainda por cima ia fazendo perguntas. Eu sempre disse que quem quer sentir o que é a eternidade basta perguntar ao Pedro como é que foi o seu fim-de-semana. A Elisa rapidamente foi mudando o semblante quando o resto do grupo já conversava entre si e a deixava à mercê do ávido Pedro, que passados 15 minutos ainda nem sequer desvendara o que lhe queria realmente contar. Depois há uma característica fortíssima no interlocutor que não se deixa ludibriar com quem quer apressar a história - “e depois?”. Continua com toda a sua calma e acrescentando, invariavelmente, pormenores e situações que se vai recordando - encontra constantemente histórias dentro da sua própria história. É desesperante, não vale a pena estar com rodeios, e a Elisa passados 67 minutos, contei-os eu, já não sabia o que fazer e o que dizer para terminar com aquela agonia. Os lugares não foram escolhidos ao acaso e deixamos sempre lugares VIP para quem ainda não conhece o Pedro. É uma forma maldosa de bem-receber, poderão pensar os leitores, mas para aquele grupo é um filtro fortíssimo e uma etapa fundamental para que se consiga integrar. O jantar já estava na sobremesa e a Elisa mostrava indicies muitos forte de desistência. Seria uma pena, já há muito tempo que não tinhas alguém tão forte e prestes a chegar à recta da meta. Todos os olhos estavam postos na Elisa e já se faziam apostas. Eu apostei forte nesta rapariga desde o início. Por ser gorda e feia achei, por maldade confesso, que teria que ter outros atributos para que pudesse atrair as pessoas, como a simpatia, a tolerância e um poder de encaixe acima da média. E de facto estava comprovado que a Elisa tinha todos estes atributos e só lhe restavam poucos passos para conquistar toda a nossa admiração. O Pedro avançava como nunca e quando pegava no copo de vinho branco, para molhar a boca, e terminar como todo aquele sofrimento, a Elisa com a voz a trémula mas mostrando de que fibra é feita, pergunta “Mas foi a primeira vez que te aconteceu?” O aplauso foi geral e de pé!

22/03/2017

“Eu sou feliz com pouco dinheiro”


“Eu sou feliz com pouco dinheiro.”
Se alguém disser isto ao pé de vocês, afastem-se desta pessoa. É gente que não é de confiança. Malta que é capaz de abandonar os cães no meio da auto-estrada. Ser “rico em sonhos e pobre em ouro” é bonito no pequeno ecrã. A ausência de dinheiro não traz felicidade e insistir no contrário é parvoíce. É a mesma coisa que ficar feliz por comer sempre arroz com feijão ou não ter, sequer, o que comer - “A comida não traz felicidade!” – Poderíamos também dizer isto orgulhosamente, mas cheios de fome, para todos aqueles que se refastelam com pratos abastados de comida. Diria que não poder ter uma determinada coisa, em geral, é mau. Mas nem sempre é verdade: no ano passado um amigo meu pulou de alegria quando soube que estávamos a organizar uma viagem de férias e ele não poderia ir porque não tinha dinheiro. Ficamos, também nós, felizes. Não só por ir, mas porque sabíamos que ele iria ficar bem. Na verdade há imensa coisa para fazer em Lisboa e poderia aproveitar os seus dias tão bem, ou melhor, do que os nossos. A conclusão poderá ficar um bocado confusa: Afinal é, ou não, benéfico para nós ter o poder de decidir se queremos determinada coisa? Lá está, se fazemos a pergunta desta maneira torna-se mais fácil de responder.

17/03/2017

Momentos poéticos - Rui Barreiros

Vamos ter neste espaço o privilégio de ter um poeta com um livro publicado e que se prepara para publicar outro. Rui Barreiros é filho do pintor, músico José Raimundo. Uma pessoa simples, tão simples que acedeu ao convite de nos presentear com alguns dos seus poemas. Tentaremos que ele aceda à difícil missão de, periodicamente, nos dar a esse luxo. Um muito obrigado Rui Barreiros e espero que todos apreciem o teu enorme talento:



AINDA NÃO VI...(AINDA NÃO DESCOBRI)


Quando me ocluso
E ofusco a luz direta
A luz que brilha, que eu não mereço
Estremeço, e abraço o celibato
A exclusão inerte
O amor das outras, secas
Quando percorro a vida
Nela desmonto a forca
A corda roída das fêmeas
Prefiro o Apocalipse meu
Ao sigilo grotesco das catacumbas
Descomprometido da fenda
Da oferenda, às Rainhas
Nas linhas mórbidas do destino
Quando acordo só
Em noites frias, despidas
Sou um coruja, um morcego
O medo em promoção
Em saldos, fácil de comprar
Difícil de mais de manter
De reter entre falsos votos
Quando jogo sem lançar
Sem provocar a aposta
Sou perdedor, nunca predador
Evito, e vomito a indiferença
Sou vencedor na tua crença
Na tua esperança em fortuna
Na lacuna da paixão...
Na minha conclusão, sou demente
Da tesão institucional, na caridade
Sou doente, sem tratamento...

14/03/2017

NÃO SÃO APENAS TROCOS


Nunca fui enganado por uma máquina de por moedas mas, ainda assim, confiro sempre o troco. Diria que estou habituado a que tudo o que envolva dinheiro se transforme e distorça de uma forma surpreendente. Mas deve ser uma mania minha, não quero estar aqui a levantar falsos testemunhos ou a influenciar alguém. Simplesmente não confio – seja no que for ou em quem for. Por exemplo, se a minha mãe me pedir um euro para ir beber um café, quando me devolve o troco eu, inevitavelmente, confiro. E neste caso, como a minha mãe não é uma máquina, de vez em quando engana-se: “Oh mãe falta aqui 20 cêntimos!”
Normalmente as moedas em questão caem, sem querer diz ela, para o fundo da mala. Ainda por cima, a minha Mãe, é Senhora para andar sempre com malas grandes. Eu só posso imaginar as histórias que os recantos daquelas malas têm para contar. Somando tudo, se ela não gastasse o dinheiro em porcarias, poderia, imagino eu, ter umas férias todos os anos em cada canto do planeta. Mas, justiça seja feita, quando eu era rapazote também eu próprio fui beneficiado pelos recantos destas malas - não queria aprofundar este assunto, até porque não traz benefício próprio, mas fica aqui a nota. Milhares de trocos são feitos diariamente e “enganos” constantes acontecem. Normalmente quem faz o troco tende a por dinheiro a menos, mas por vezes também acontece o contrário. A mim já me aconteceu darem-me moedas a mais. Como devem imaginar, conferi o troco, reparei que vinha a mais 2,20€ e fiz o que se deve fazer - agradeci e fui-me embora. Achei que dizer aquela pessoa que se tinha enganado a fazer o seu trabalho não seria bom para o seu brio profissional. Há que ter a coragem de vez em quando, e reparem na qualidade da piada linguística, de não dar troco quando se enganam no troco.

07/03/2017

QUE A MORTE SEJA GENEROSA E BONDOSA PARA COM TODOS




Para se conseguir morrer acreditem que não precisamos de ter experiência nenhuma. Diria que não necessitamos de praticar nada durante a vida. Ao contrário de muitas outras actividades que necessitam de prática e experiência para que as consigamos alcançar, a morte dá-nos essa benesse. Alcançar a morte é facílimo e qualquer leigo está apto para o conseguir. Não há truques ou dicas. A morte chega e não temos sequer o direito de a não aceitar - morre-se e pronto. Morrer poderia ser bom para os que acreditam que “vamos desta para melhor”. Para os que não sentem esse chamamento a conclusão é, mais ou menos, idêntica - com a pequena diferença que durante o percurso, para além de ser um pouco mais penoso, temos esse bichinho atrás da orelha a sussusar “qual é o sentido de tudo isto?” Sentidos poderemos arranjar muitos, mas dificilmente se arranja um argumento que nos convença e que nos diga: Sim senhor, foste um homem bondoso, honesto e até mesmo impecável durante a vida mas agora vais ter que falecer. Fizeste tudo maravilhosamente bem mas chegou a tua hora. A morte chega para todos nós, não sei se estão a par disto, mas todos os imbecis não vivem para sempre o que também, confessemos, nos dá um alento em relação à crueldade do mundo. Em jeito de conclusão, e porque tudo tem um fim, o que vos posso desejar é que a vossa morte não seja penosa e que venha com algum glamour – que não seja nada de dramático, como um atropelamento ou qualquer coisa do género. No fundo o que eu quero é que a morte seja generosa e bondosa para com todos .

07/02/2017

É PRECISO DAR DESCONTO...MESMO NOS DESCONTOS



Alguém que compra uma camisola de malha cor-de-rosa, com as mangas azuis e duas riscas horizontais, ao nível do peito, brancas consegue-nos dar muita informação sobre si - sem sequer ser necessário abrir a boca. Atenção que eu sou uma pessoa que foi dada como inapta para o serviço militar. Não tenho propriamente direito ou moral para criticar uma pessoa que opta por comprar, no meio de tantas outras, uma camisola de malha deste calibre. Ainda assim deixo uma pequena dica: Camisolas lisas de uma cor única. Por muito má que seja a escolha da cor, o estrago acaba por não ser tão evidente. É como as camisas, e aqui conheço várias pessoas que são possuidoras deste tipo de camisas, com riscas verticais, fininhas, de várias cores. Não são bonitas. Não vale a pena estar com rodeios e mentir às pessoas. É certo que acabam por dar com tudo, porque haverá alguma risca que combine com o tom das calças, sapatos, cachecol… é uma palete de cores que deixa o próprio arco-íris envergonhado, esbatido e sem vigor. Mas, sejamos justos, poderá haver uma boa justificação para tudo isto. Temos que perceber o que leva as pessoas a cometerem este genocídio visual. Eu acredito em mau gosto, assim como em Fátima, mas não tão profundo ou, no caso de Fátima, em cima de uma Azinheira. O desespero existe meus Senhores. É real. Há que dizer as coisas sem medos e contarmos ao mundo os nossos traumas: Comprar roupa com as nossas parceiras não é uma tarefa que se deva levar com ânimo leve. O nosso cérebro tem que estar bem afinado e certeiro para que consigamos comprar o que realmente queremos e gostamos. O inimigo ataca cedo e de forma convincente: «Olha, por exemplo este azul bebé fica bem com o castanho da tua camisola!» (…) «Que bonita esta blusa cor-de-laranja às riscas cinzas, ia ficar linda com a tua camisa branca!» Na maioria das vezes até nem queremos comprar roupa alguma e só imploramos por uma visita à Fnac para bisbilhotar o que há de novo, mas a música de fundo começa a ganhar forma e intensifica-se «Vamos só ali à Quebramar que eles têm muitos artigos em desconto…» Quem não compra o que quer que seja com 40% ou 50% de desconto? Não está sequer em causa se precisamos ou não, compramos e ponto final. Confesso, também tenho uma camisa com riscas verticais fininhas com múltiplas cores - Custava 46 euros e comprei-a por 24 euros. Uma autêntica pechincha e fica linda pendurada no roupeiro juntamente com umas calças vermelhas que comprei na Zara por metade do preço.