Demos um ar renovado a este espaço e olhem que giro que ficou! Fizemos bem. Somos daqueles que achamos que tudo, se assim for possível, merece uma mudança. Para nos olharem da mesma maneira mas de um modo diferente. Tudo aborrece se todos os dias estiver igual. Mudar uma simples coisa do lugar faz com que tudo à volta fique diferente. Já não está da mesma maneira. Aquela jarra antes não estava do lado esquerdo da santinha vermelha feita em cera. Agora está do lado direito e mais escondida para trás. Já não é o elemento principal. Passou a ser uma simples peça cerâmica num papel secundário. É triste – uma vida toda a ser a protagonista. Todos reconheciam a sua imponência mas os rumores já não se deixam agarrar. Já todos sabem, e comentam, com uma tristeza profunda carregada de malicia: «Sabes quem é que caiu em desgraça?», perguntam com ironia. De seguida dão a resposta com um sorriso interior que não conseguem disfarçar «A jarra que estava à frente da santinha vermelha feita em cera!» As pessoas anseiam uma mudança que seja dramática na vida dos outros. Mas não é este o caso. Nós aqui mudamos e não tiramos o mérito ao belíssimo aspecto que tínhamos anteriormente. Mas o seu tempo terminou. Não há que esconder isso e quando se chega perto do fim é arrasador. Eu vejo os mais velhos e tenho um profundo respeito e admiração. Deve ser dificílimo ver o fim mais perto. Mas não há volta a dar e o que nos move é a esperança de um dia lá chegar com alguma dignidade. Não precisaremos mais do que alguém que goste de nós, alguém que nos venha visitar. E se vier por gosto acaricia-nos o coração.
Vocês conhecem a dor reflexo?
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…

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