Às vezes é preciso algum esforço para se ver o óbvio. As histórias que todos nós contamos num grupo de amigos, nas empresas onde trabalhamos, ou numa esquina com um desconhecido, têm de ser, cada vez mais, sucintas e objectivas. Ninguém tem tempo, ou paciência, para grandes floreados ou retóricas de promissores oradores. Se queremos contar que fomos ao pão e que pelo caminho encontramos o Manuel, que nos disse que era muito provável que ele ia ficar desempregado devido à empresa, onde trabalha há 20 anos, estar sem os habituais clientes que optam hoje em dia por comprar os produtos via internet . O melhor, sugiro eu, é que primeiramente perguntemos, a quem vamos contar a história, se conhece o Manuel. Se não conhecer nem vale a pena avançar com a história. Caso o nosso passivo, mas impaciente, ouvinte conheça, então poderemos avançar mais um passo. Mas tem de ser rápido porque não o podemos, nem o queremos, perder com coisas superficiais. O melhor é nem dizer que íamos ao pão quando nos deparámos com o Manuel. Isso pode levar-nos a pormenores desnecessários. Passemos logo ao ataque: « O Manuel vai ficar desempregado». Reparem que aqui, com a pressa de contarmos a nossa história, já estamos a deturpar o que nos foi dito pelo próprio Manuel. E ele disse-nos que “provavelmente” ia ficar desempregado. Não nos deu a certeza absoluta. Mas, e por sorte, contemos com que isso realmente venha a acontecer - a desgraça do Manuel poderá nos dar alguma credibilidade. Resumindo: Já conseguimos dizer que o Manuel perdeu o emprego e a amável pessoa que nos ouve continua inclinada para nós, o que demonstra interesse, e com os olhos nitidamente a dizer que temos que ser assertivos. Resta-nos agora escolher se queremos ou não justificar a causa do “provável” ou, com sorte, desemprego. Muita informação, como todos sabemos, poderá ser fatal. Por isso escolho, por agora, não vos contar a vocês, amáveis e fieis leitores, o desenrolar desta hipotética conversa. Talvez numa próxima vez e se tiverem tempo.
Vocês conhecem a dor reflexo?
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…

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