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Que se lixem os Abutres !

Não vou desejar bom dia a ninguém, porque para além de não merecerem, hoje o dia não me está a correr nada bem.
Aliás, espero que vocês, no mínimo, hoje partam uma perninha!
Que é para não se ficarem a rir.
Hoje fui levar a minha namorada ao aeroporto 4 de Fevereiro em Luanda. Acabou a visita dela a este belo continente.
Acordei com uma diarreia descomunal.
Nos 15 minutos que demoro a preparar-me de manhã, hoje juntei mais 30 só na casa de banho.
Fui 4 vezes em 30 minutos. Esperava-me 1 hora de viagem de casa até ao aeroporto.
Só não pus fralda porque não tinha.
A caminho, tinha que acontecer alguma coisa inédita. Uma ambulância com as luzes de emergência ligadas, sinalizando que alguma pessoa não estava nada bem, tenta passar de uma facha de rodagem para a outra, com um separador new Jersey no meio.
Uma atitude, que tem tanto de corajosa como de estúpida. O separador é de betão armado e chega-me quase à cintura.
Não contente com a situação, e já com o paciente morto com certeza, guina o volante com raiva, com quem diz ; - ai é ! então espera que eu faço já outra estupidez - e espeta-se, não no primeiro, mas no segundo poste de electricidade que encontra. Também ele em betão armado.
Ficou ali sem se conseguir mexer.
Eu com as pernas entrelaçadas, como que em nó de marinheiro, larguei um pum com a emoção. Escusado será dizer que saiu merda. Desculpem, mas não consigo dizer de outra maneira.
Não vos vou contar o resto, porque ainda tenho alguma dignidade.
Voltarei para vos falar do acasalamento dos abutres. Que é um tema que a mim me diz muito. Espero que vocês tenham a decência de lerem na íntegra o documentário de 58 páginas que estou a preparar. Ou então continuarão na ignorância para o resto da vida. Que é coisinha para não vos chatear muito.
Tenho dito.

Comentários

  1. Xiiiiii..... seu cagão! :D
    Agora além de PORCO, ficas apelidade de Sr. Porco Cagão.... ou tb posso diminuir para El Cagon! :D
    Ahahahaah

    tadito de ti.... toma uns ultralevures q isso vai ao sitio ;)

    **

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.