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Mensagens

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

Morreu

É tão bom estar de volta, como seria se continuasse calado. No entanto achei por bem acrescentar umas linhas. Somente um desabafo em dias menos solarengos. Gosto de gostar de pessoas. Parece fácil, mas não é. Cada vez gosto mais e menos depende de quem estejamos a falar. O meu Pai faleceu. Nada que eu possa escreve servirá de homenagem ao que ele foi. Foi um Pai. E um Pai que se perdeu para sempre. Não voltarei a ter um Pai. O fim de um grande homem como não vejo nos que conheço. Conheço muitos e poucos são verdadeiros homens e os que o são, não são como o meu Pai. Acabou. Diria que foi um fim triste como são os de todos que envelhecem neste País. Não fazemos nada para melhorar a velhice dos outros e estaremos de mãos atadas quando acharmos que temos o direito e deveriam melhorar a nossa própria velhice. Se lá chegarmos ouviremos dizer dos mais novos que tivemos sorte em lá chegar e que somos uns privilegiados por isso. Concordaria se vivessemos no passado ou do passado. Vivemos cada d...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.

VAMOS TODOS FICAR BEM?

Uma forma bonita de elogiar um gago é dizer que "tem dificuldade em se despedir das palavras". Eu tenho dificuldade, não diria em me despedir, mas de aceitar algumas frases de motivação que por estas alturas abundam em todo o lado. "Vamos todos ficar bem!" e depois ao lado um arco-íris pintado, de preferência para criar mais impacto, pelo próprio filho. Mas que merda de frase é esta? Mas desde quando, mesmo sem esta pandemia, vão todos ficar bem? Eu, quando está tudo supostamente perfeito, muitas das vezes não estou bem. Sabem o significado da palavra "todos"? Claro que não vamos todos ficar bem. Posso estar aqui a cometer alguma inconfidência, mas vai morrer mais gente. Isso é certo. E há famílias desesperadas em todo o mundo e claro que os mais pobres serão sempre os mais desfavorecidos. Em Angola, que é um País que ainda acompanho de perto, pedem para a população ficar em casa. Já foram ao Cazenga ou ao Sabinzanga? Em princípio não, mas para vos tentar ...

BOA SORTE NUMA ALTURA MÁ

"Há sombras tenebrosas na terra, mas as suas luzes são mais fortes por contraste." Começo com esta frase inspiradora, porque parece que é comum entre os supostos optimistas como que a mostrarem ao mundo que não temem nada nem ninguém, para mostrar que na minha algibeira também tenho uns trunfos para quando o medo chegar. E ele chegou. Agora não é tempo de o enfrentar, mas sim de ter algum respeito por ele. «Fechem tudo!» dizem uns. «É preciso ter bom-senso» contrapõem outros. Eu, sinceramente não faço a mínima ideia. Não estudei para isso e a escolaridade que eu tenho não me permitiu ir mais além do que a construção civil. Se me quiserem perguntar se numa parede dupla de alvenaria a parede mais espessa deve ficar no exterior ou interior, ainda sou capaz de ter bons argumentos quer para uma situação, quer para outra. Em relação ao Covid-19, não faço a mínima ideia. Por algum motivo a partir do 10º ano de escolaridade os alunos têm que escolher uma área que se identifiquem e q...

RACISMO

Normalmente tenho pouca coisa a dizer sobre assuntos tão óbvios (e sobre os outros também) porque não chego a perceber, embora gostasse, o que vai no cérebro das pessoas que debatem o racismo com a veia do pescoço prestes a explodir. Mas sobre o Racismo permitam-me dizer que não me interessa de onde as pessoas vêm, se vierem por bem. Se vierem por mal, como é óbio,  também não me interessa se é Branco, Preto, Amarelo ou às Bolinhas, simplesmente não é bem-vindo. Por isso se eu vir um Preto a roubar irei condenar. Se um Branco violar alguém tem que ser julgado e preso (para o resto da vida de preferência). Se um Chinês vender carne de cão tem que ser no mínimo espancado até à morte com um pau cheio de pregos. Claro que estou a brincar porque o Pau não precisa de ter pregos. E atenção que quando digo um Chinês a vender carne de cão, poderia ser também um Português, embora seja mais provável que seja um Chinês. (ESTE RACIOCÍNIO NÃO CONTA COMO RACISMO, É MERAMENTE UMA ANÁLISE DE PRO...

SER DIFERENTE CUSTA E NÃO É POR TER A MANIA

Saber não fazer nada é cada vez mais uma arte - já falei sobre isto – e nos dias que correm, porque o tempo não pára, faz-me cada vez mais sentido. Numa sociedade que nos suga e nos impinge objectivos, os meus, os objectivos, são cada vez menos. Não tenho grandes metas, mas tenho uma grande meta: Ter a possibilidade de não ter nada para fazer. E isto, meus amigos, não se alcança do pé para a mão. Poder não fazer nada é cada vez mais uma bênção que poucos podem alcançar. A rapidez dos dias de hoje sega-nos. Será propositado? Talvez, mas o facto de não nos darem tempo para fixarmo-nos num ponto, para podermos observar com calma, torna tudo numa montanha linda e apejada de lixo. Por isso, como poderemos acalmar e abrandar a azafama da nossa vida, do nosso ninho familiar? Lá fora podem andar todos a mil à hora, numa tormenta de carneiros. Será que conseguimos escapar deste trilho? Sim, podemos. Como? Comprando o tempo. Só com dinheiro do nosso lado poderemos dizer que “não” a muita ...

E NÃO QUIS

Sou um homem que nunca foi à tropa. E todos sabemos que quem nunca passou por uma experiência, não tirou o proveito de aprender com ela. Como os sábios já várias vezes declararam, e alguns até declamaram, que «só quem está lá dentro é que sabe». Por experiência eu confirmo isso mesmo, já muitas vezes estive do lado de fora (muitas por opção) e realmente fica difícil de saber o que se passa do outro lado. Também é verdade que podemos ter algum conhecimento de experiências que nunca tivemos, mas não vamos por esse trilho, porque se poderá tornar confuso até para a sobejamente conhecida sabedoria, e inteligência, dos nossos queridos leitores. A conversa da Tropa vem a propósito do que um veterano de guerra (todos os que fizeram pelo menos a recruta se auto intitulam assim) me disse há meia dúzia de dias quando eu tive a infeliz ideia de aceitar um almoço há muito tempo prometido:  - Olha lá! – Começou o tipo com os seus 45 anos e com uma barriga de fazer inveja a uma grávida prestes...

PROFESSORES

É preciso, nos tempos que correm, ter muito cuidado com a partilha de opiniões. Podemos sempre ofender alguém. As pessoas têm uma aproximação afectuosa com a ofensa. Gostam de se sentir ofendidas e para ajudá-las, hoje vou arriscar falar sobre Professores. Começo, como ponto prévio e para que não restem dúvidas, por dizer que não gosto de Professores.  Polémico? Talvez não. Tendo em conta que está na moda não gostar deles. E temos todos razão e deveríamos de uma vez por todas explicar, aqueles que não gostam de Professores, do porquê de não confiar-mos nesta Classe. Como é possível simpatizar com alguém que andou anos a fio a estudar para ensinar, desde tenra idade, pessoas? Como poderemos confiar em gente desta? Eu se vejo mais do que duas crianças juntas fujo, corro, apresso-me para o lado completamente oposto. Imaginem uma sala cheia desta gente! Depois os Professores, para além de terem o dever de os ensinar, parece-me óbvio que, primeiramente, os têm de educar. E aqui m...

A IMPORTÂNCIA DE CONTAR UMA HISTÓRIA BEM CURTINHA

Às vezes é preciso algum esforço para se ver o óbvio. As histórias que todos nós contamos num grupo de amigos, nas empresas onde trabalhamos, ou numa esquina com um desconhecido, têm de ser, cada vez mais, sucintas e objectivas. Ninguém tem tempo, ou paciência, para grandes floreados ou retóricas de promissores oradores. Se queremos contar que fomos ao pão e que pelo caminho encontramos o Manuel, que nos disse que era muito provável que ele ia ficar desempregado devido à empresa, onde trabalha há 20 anos, estar sem os habituais clientes que optam hoje em dia por comprar os produtos via internet . O melhor, sugiro eu, é que primeiramente perguntemos, a quem vamos contar a história, se conhece o Manuel. Se não conhecer nem vale a pena avançar com a história. Caso o nosso passivo, mas impaciente, ouvinte conheça, então poderemos avançar mais um passo. Mas tem de ser rápido porque não o podemos, nem o queremos, perder com coisas superficiais. O melhor é nem dizer que íamos ao pão quando ...

O MUNDO É DOS HOMENS MACHOS

Sempre admirei pessoas que eliminam os seus obstáculos, ou quem os perturba, de uma maneira muito eficiente e eficaz. Ser incisivo, directo, e eliminar as dificuldades de uma só vez não está ao alcance de todos. Parece que foi o que aconteceu em nove casos este ano em Portugal. Nove mulheres mortas por incomodarem os maridos. Genial. Voltamos finalmente aos bons tempos. Chateiam muito e vão desta para melhor. Um deles até recorreu a uma moca com pregos. Reparem que não precisou de grandes recursos: um simples pau de madeira com uns pregos espetados e resolveu o assunto. É isto que eu costumo dizer a quem trabalha comigo: sejam objectivos e verão que não precisam de grandes recursos. Ao que parece a Sociedade ficou chocada. Não estão habituados a medidas radicais. Se existe alguma coisa que os incomoda nunca tiveram a coragem de elimina-la de vez. Poderemos com certeza criticar mas os tempos estão a mudar, e a prova disso é que em 2019 a Homossexualidade deixou de ser crime em Angola. ...

ESTA DEVERIA SER A HiSTÓRIA QUE VOS CONTARAM

Não é a primeira vez que me contam uma história onde a pessoa que a está a contar sai sempre por cima e faz questão que seja de uma maneira gloriosa. Seja com um Chefe, com uma Senhora da Função Pública ou com a própria mulher. «Nunca ninguém lhe tinha dito, porque tinham medo, mas eu disse na cara do meu Chefe que não aceitava que falasse assim comigo» Já não me lembro é se quando saiu da sala do Chefe bateu a porta com estrondo. Normalmente fica sempre bem um final épico onde fechamos “a cortina” em beleza. Percebo a necessidade de contarmos as nossas próprias histórias mas eu prefiro sempre aquelas onde as coisas correm mal para o nosso lado. Mesmo há pouco tempo, e isto é uma história verídica, mandei um email ao meu Chefe a queixar-me da forma com que ele falou de mim a terceiros. Ele imediatamente me ligou e marcou uma reunião para a primeira hora no dia seguinte. A reunião durou 1 minuto onde ele me apontou o dedo e disse «Tu nunca mais me mandas nenhum email daquele género....

O CHEFE MORREU

Agora que passou algum tempo após o seu trágico acidente, dedicar-lhe umas linhas é o mínimo que eu posso fazer. É um dos poucos que marcou a diferença. Não porque tivesse uma liderança de génio, porque essas só existem no nosso imaginário, mas porque todos o conheciam verdadeiramente. Com ele não havia manchas cinzentas, obscuras, indecifráveis. Era o Zé Correia e todos tinham a noção que com ele podíamos pedir tudo. Para isso era preciso alguma calma. Entrar na sua bolha de protecção não era difícil e consegui isso com duas ou três conversas - sinceras e sem receio. Depois de entrarmos os medos eram poucos numa terra onde eles andam por todo o lado e sempre prontos a apanhar-nos. O seu escudo era incrivelmente seguro. Com o Zé era tudo à grande, no bom sentido da palavra e no mau sentido as vezes que foram necessárias. Não me esqueço do dia em que entrei no maior barco privado, com direito a lagosta, champanhe e até havia arroz de pato. Foi um dia inesquecível e não me esqueço da car...

O DESEMPREGADO COM FILHOS

Todos os dias vocês vão batendo o vosso recorde: Dias consecutivos que permanecem vivos. Para além de estarem de parabéns e de forma a vos compensar achei que esta pequena história seria de todo apropriada para o momento. Embora esta história não seja da minha autoria tem ligeiras modificações. Não irei colocar aspas mas o aviso prévio está dado pelo que não me poderão acusar de plágio. A história chama-se: O Desempregado que tinha filhos Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos uma mão.» Ele estava desempregado há muito tempo, tinha filhos e aceitou. Passado algum tempo foi despedido e de novo procurou emprego. Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.» Ele estava desempregado há muito tempo, tinha filhos e aceitou. Passado algum tempo foi despedido e teve que irremediavelmente, de novo, procurar emprego. Disseram-lhe: «Só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.» Ele estava desempregado há muito tempo, tinha fi...

SÓ ME OCORRE PARA ESTE TÍTULO A PALAVRA: CU

Esta é uma história da vida real. Seria uma história como outra qualquer se não fosse eu o protagonista. Estávamos em pleno Verão quando eu me escapava de Lisboa e ia a caminho do Alentejo. A terra dos meus Avós - Ourique para ser mais preciso. A primeira noite naquela terra era sempre mágica. Dormia pela metade o que me valia pelo dobro. Acordava mais cedo do que me lembrava até então. Tão cedo que eu cacarejava primeiro que as galinhas. Aproveitava a hora calma para ver se elas me tinham presenteado com algum ovo. Normalmente, pensava eu, tinha sempre sorte. Era como se todo Universo se unisse e com toda a sua magnitude me quisesse ver feliz. Nada dependia do Cu das galinhas, mas de um poder maior. Tudo era perfeito e eu sentia-me, por completo, pertencente a este mundo. Mas esse Universo não era nada mais do que a minha Avó, a Antónia. O que tinha de inteligência a bondade acompanhava. Era ela que punha os ovos. Sim, aqueles que eu apanhava, na sua maioria, eram postos por ela. Nã...

10 MANEIRAS DE GANHAR TEMPO

D aí a 5 minutos ia-me encontrar com uma pessoa idosa. Desejaria que fosse rápida a conversa para me despachar e ir à minha vida. Quando o vejo ao longe a cambalear, barba mal feita, com sérias dificuldades em se locomover, pescoço torto e parecia que vinha perdido. Ele estava no lar já há alguns anos e aquele ar de quem não sabe onde está agoniou-me. Finalmente chegou ao pé de mim e pediu-me a única coisa que eu não lhe queria dar: tempo. Pegou-me no braço e obrigou-me a sentar e foi direito ao assunto como um relâmpago num dia de céu limpo – já tiveste alguém próximo que se suicidou? Eu disse que sim e não querendo muito desenvolver o tema até porque ainda estava agarrado ao “meu tempo” que me estava a ser roubado. O senhor baixou a cabeça e começou a explicar que já tinha perdido alguns alunos por se terem suicidado e o que mais o angustiava era o facto de não ter a certeza que tinha feito de tudo para que isso não acontecesse. De não ter previsto e mais dramático ainda, nem sequ...

VAMOS ABATER PESSOAS?

Q uase 12 mil cães e gatos foram abatidos durante o ano de 2017. Acho interessante esta medida de forma a controlar estes animais vadios ou, e sendo mais justo para com eles, que foram abandonados. Tenho pena que esta medida não possa transitar para outros patamares. Todos sabemos que existem umas quantas pessoas que mereciam falecer, e esperar que lhes aconteça algum acidente ou que apanhem uma doença fulminante não é de todo motivador para todos nós. Por isso termos a hipótese de por fim à vida a quem nos incomoda parece-me genial. Poderíamos começar pelas, e dando a primazia a quem foi o rastilho e principiou este projecto, criaturas que se fartaram de ter os seus animais de estimação e resolveram esta equação de uma forma muito simples: pô-los fora de casa para que aprendessem como a vida é complicada quando temos alguém com consciência e que tem a bondade de nos ensinar que afinal a vida não é só comer, dormir e passear. Estes seriam, e com todo o mérito, os primeiros da lista. ...

SOLUÇÕES RADICAIS (DO AMOLADOR AO MOUNTAIN SONG)

Por vezes os sentimentos menos bons e negativos, como a tristeza ou a raiva, podem ser inspiradores e engrenagens para um patamar superior. Normalmente é na fossa, e no meio do esterco, que o mundo nos obriga a sermos criativos. Não é o meu caso até porque nestes momentos a minha personalidade encarcera por completo qualquer capacidade que eu, supostamente, possa ter de criação. Mas voltando à vaca fria, uma das situações que sempre me irritou e me tirava do sério era a gaita do amolador. Esta gaita tinha o efeito de me enervar e quase sempre me obrigava a parar o que eu estava a fazer para ir à janela e, para além de desejar a morte instantânea ao tipo, constatar quase sempre o mesmo: Ninguém afiava o que quer que fosse naquele homem, que ia com uma espécie de roda de bicicleta enquanto assoprava uma gaita que reproduzia uma repugnante melodia que me entrava pelos ouvidos como um trovão. O tempo veio dar-me razão e esta raça foi extinta. Aquela sonoridade era para mim risível e seme...