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Tem calma Davi nem sempre podes vencer o Golias

Ando à rasca do meu joelho. Achei que vocês o queriam saber,

Este Domingo, como é habitual, fui mais uma vez à praia. Não sou maluco, para os mais distraídos estou em Angola.
O que é que se sucede: De repente começa a cair umas pingas. A malta pensou “nada de mais, isto já passa”. As pingas transformaram-se em chuva e a animação começou a ser completa, com um calor dos diabos todos correram para a água pulando e saltando de alegria.
- Olha lá, mas pular e saltar não é a mesma coisa? – Perguntam vocês com a gramática aguçada.

Tudo era uma animação, a chuva começava a cair cada vez com maior intensidade. Um momento que tinha tudo para ser único, oferecido de mão beijada pela mãe natureza. Uma centena de pessoas varria por completo os seus problemas e regozijava com tamanha dádiva. Como a perfeição é uma palavra ambígua, a chuva passou a tempestade: Os chapéus-de-sol voavam, as pessoas corriam desesperadamente para encontrar os seus pertences, os empregados da esplanada esbracejavam com a debandada total das pessoas que saíam sem pagar.
Por fim consegui chegar ao carro e senti-me aliviado. Tudo parecia ter acabado. Também é verdade que saí sem pagar. Mas como sou um homenzinho, nunca mais lá volto.
De repente ouve-se um estrondo tremendo: Uma árvore tinha caído.
A faixa contrária daquela que me levava a casa e que realmente me interessava, ficou intransitável por causa de um tronco com um diâmetro que nem me atrevo aqui a adivinhar: mas era grande.
Não acertou em ninguém, mas foi o suficiente para me mostrar que eu ainda não tinha visto tudo na vida.
Um homem bem-parecido, sai do carro para analisar o problema que tinha à sua frente: Com a mão no queixo e um ar pensativo encontrou, rápido de mais, a solução para conseguir passar por aquele enorme obstáculo.
Entra no carro, acelera a fundo e estampa-se contra o tronco.
O tronco, por incrível que pareça, ficou impávido e sereno sem se mexer. Ninguém diria que um obstáculo com duas toneladas não desatasse a fugir quando visse um carro furioso com um condutor genial a enfrentá-lo daquela maneira.
Nem sempre se pode vencer o Golias.

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.