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Chiclete Band

Se em Portugal a malta já não gosta muito, de tudo o que representa um táxi, e principalmente o individuo (estava para adjectivar, mas vamo-nos conter de inicio) que o conduz.
Em Angola a situação piora um bocadinho, mas grande, ou seja um bocado que o “inho” eu substituiria por um “ão”. ( - Então porque é que não escreveste logo” Bocadão” ? - Perguntam vocês – Porque sou uma pessoa sensível, carinhosa e respeito o próximo !)
Os Taxis em Angola são todos iguas. São as conhecidas Toyota Hiece.
Essas/Estas mesmo.


Não comecem já a gozar com as pessoas ! Voçês são terriveis !
Bem, continuando.
Como é que a coisa funciona?
Os táxis não funcionam como estamos geralmente habituados. Aqui segue a lógica dos autocarros , ou seja cada um faz um determinado percurso e as pessoas, como é lógico, escolhem o táxi que lhes convém.
Eles também não são transportes individuais, mas sim colectivos. Cada Toyota terá espaço para 9 pessoas, mas seguramente chegam a levar para cima de 20 !
Como ?
É fácil, uns sentados, outros deitados… o gajo que inventou o Tetris de certeza que esteve em Angola !
Depois cada Taxi é composto por dois elementos : O motorista ou condutor, convém, e depois existe a “tabuleta” que indica o local para onde vai. Que neste caso é o “Homem tabuleta”. Um senhor, bem apresentado, que anda aos berros a dizer : - PÁ BANANEIRA E PASSA PELA LIXEIRA – ou – PÁ XICALA E PASSA PELO KAMAMA .
O custo de cada percurso é cerca de 100 kwanzas que na nossa moeda dá um trabalhão fazer as contas. Esperem um bocadinho. Ora bem 4x0.215, depois subtraio 0.89, divido por 0.0254… já tenho o resultado final.
É 1€.
Se chove, o preço inflaciona para 150 ou 200 Kwanzas, que dá cerca de … ora bem, 8x0.215, depois menos 1.05 e divido por 0.0458.
Lá está dá 1,50 ou 2 €.
Inflaciona porquê ? – perguntam vocês - Vá, perguntem lá ! – INFLACCIONA PORQUÊ ? (suposta pergunta feita por vocês em coro !)
Voçês devem ser parvos… estão a fazer perguntas a um monitor e depois não percebi que merda de pergunta foi essa !
Inflaciona porque andar à chuva molha, é chato e então há que aproveitar a situação!
Os táxis aqui têm uma dupla função: A normal, que é transportar passageiros e a Paranormal, que é servir de ambulância.
Como existem centenas e centenas de táxis, cada vez que há um acidente com feridos graves, os feridos ligeiros que se desloquem a pé ao hospital, existe sempre um táxi por perto. Esse mesmo táxi, quando “visualiza” o acidente, transforma-se numa ambulância.
Perguntam vocês - Mas esses táxis tem condições para transportar os feridos ?
Claro que têm.
Por sorte até têm bancos almofadados e tudo. Como geralmente estão sempre dois “funcionários” em cada táxi, um deles conduz enquanto o outro revista os bolsos e a carteira do acidentado, não vá o desgraçado ir com dinheiro a mais para o Hospital !
Querem melhores condições que estas ?
Daqui a bocado queriam soro e enfermeiras !
África amigos, África !
E dizem vocês – é pá ó Marcio, mas eu estou-me a cagar para como é que são, ou deixam de ser os táxis em Angola !
Eu acredito que sim, mas esta é cultura da boa e portanto vamos lá aprender um bocadinho. Imaginem que um dia numa conversa de amigos surge a conversa de um taxista que atropelou uma senhora ! Aí vocês já podem dizer : - é pá isso em Angola seria magnifico, o taxista transformava-se em ambulância e levava logo a senhora para o Hospital ! - e pronto, riem ali um bocadinho, fazem a galhofa, e pode ser sempre um bom motivo para uma tarde bem passada !
Quem é amigo ?
O Marcinho, como sempre !

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

Prós e Contras

Todos sabemos que temos que andar com as calças folgadinhas caso seja preciso arregaçar à pressa. Ninguém tem dúvidas disso. O último programa “Prós e Contras” gravado em Angola foi um exemplo, diria escandaloso, disso mesmo. Foi degradante para a história da nossa nação as figuras que tivemos que fazer. Pelo menos eu, ainda tenho orgulho de dizer que sou Português e não queria de maneira nenhuma deixar de o ter. O jornalista Rosa Mendes que tentou mostrar a vergonha de uma nação, tornou o caso mais vergonhoso ainda por ESTE motivo! Mas nada como histórias pessoais, também elas vergonhosas, para apaziguar a alma dos inconformados - Já me tinha acontecido, tentar salvar alguém de morrer afogado. A primeira vez e única, até este fim-de-semana que passou, foi no Gerês quando a dois metros da margem do rio o meu amigo de alcunha “Salmão”(de certeza que não foi pelos dotes de nadador que lhe puseram a alcunha, porque estes meninos nadam contra a corrente como ninguém) começa a esbracejar ...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

VAMOS TODOS FICAR BEM?

Uma forma bonita de elogiar um gago é dizer que "tem dificuldade em se despedir das palavras". Eu tenho dificuldade, não diria em me despedir, mas de aceitar algumas frases de motivação que por estas alturas abundam em todo o lado. "Vamos todos ficar bem!" e depois ao lado um arco-íris pintado, de preferência para criar mais impacto, pelo próprio filho. Mas que merda de frase é esta? Mas desde quando, mesmo sem esta pandemia, vão todos ficar bem? Eu, quando está tudo supostamente perfeito, muitas das vezes não estou bem. Sabem o significado da palavra "todos"? Claro que não vamos todos ficar bem. Posso estar aqui a cometer alguma inconfidência, mas vai morrer mais gente. Isso é certo. E há famílias desesperadas em todo o mundo e claro que os mais pobres serão sempre os mais desfavorecidos. Em Angola, que é um País que ainda acompanho de perto, pedem para a população ficar em casa. Já foram ao Cazenga ou ao Sabinzanga? Em princípio não, mas para vos tentar ...