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Acordem!

Lançam-se umas larachas e o povo vai atrás indignado. Mudam-se os poleiros entre dois partidos e a malta continua na mesma, não se percebendo bem quem manda nisto tudo. As coisas não são feitas ao acaso. E os “Seguros” e os “Passos” deste País são uns fantoches que dançam ao sabor da música que lhes tocam. Nunca passará disso. Vem o FMI e a população faz manifestações. Os verdadeiros manipuladores continuam a assistir na poltrona mexendo os seus peões. A marcha vem para a rua com cartazes e com as calças na mão clamando a mudança, mas sem saberem que mudança será necessária. O dinheiro emprestado continua a se multiplicar. Continua a não haver “acasos” aqui. Os telejornais, que são produtos viciados e criados para entreter, vão criando uma névoa e um nevoeiro de suspeitas. O enredo é tal que ninguém terá forças ou a lucidez para dar o início à mudança. Não querem a nossa independência e por isso passámos a ser um País de serviços. A produção parou e culpamos o fantoche do Cavaco. Lá distante, e tão perto do que nos acontece, vão caindo Torres Gémeas orquestradas, imaginem bem, por um gajo de barbas que vive no meio das montanhas, e assim ganham a força de um povo que quer vingança. A vingança rende milhões e continuamos todos indignados. As poltronas continuam a adormecer-nos e vão-nos dando mais uns joguetes. E nós jogamos e ainda financiamos, com poucas hipóteses do contrário, continuando a comprar nas multinacionais, a pagar balúrdios para o sector da energia que nos têm na mão como se não fosse nada com eles, e suplicamos emprego nas grandes fábricas que andam como nómadas à procura da miséria para uma mão-de-obra barata. Continuamos no corrupio, com as mãos e os pés atados, a arrastar-nos para conseguir uma vida digna. Continuamos a gritar com as forças que nos restam que “é uma vergonha”. É vergonhoso realmente, mas precisamos de acordar. Não sei se resultará ou não, mas somos obrigados a ACORDAR!

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.