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Estão abertas as candidaturas.

Definitivamente gosto da diferença.
Gosto quando alguém tem a ousadia de se portar mal, mas no bom sentido.
Imaginemos num restaurante, um sujeito se levanta da cadeira e grita a plenos pulmões “ Eu hoje estou feliz, caralho”
Bom, se calhar poderíamos tirar a asneira. Não precisamos ajavardar um momento bonito. Mas gosto disso. Gosto da imprevisibilidade mas com valores. Detesto barracadas, embora seja considerado imprevisível.
Normalmente, também não gosto de hierarquias. Digamos que tenho dificuldade intelectual em aceitar qualquer tipo de orientação. Tenho a tendência de avaliar a equipa em conjunto e normalmente não chego a bons resultados. A avaliação técnica nunca me interessa muito, interessa-me mais a felicidade, a motivação e a resposta, como equipa, a problemas comuns. Penso e rebusco soluções para as minhas apatias. Quero ser chefe de mim próprio, e cada passo está mais perto do sucesso. Diria que não sei quando, não sei como, mas vou lá chegar.
Aproveito, desde já, para lançar propostas de emprego a eventuais interessados. Não exijo nem mundos, nem fundos. Só quero uma coisa, o máximo de vocês. De dentro, atenção. Não quero nada de superficial. Não quero que “trabalhem” 18 horas por dia, simplesmente quero que me sigam de olhos vendados e estejam presentes enquanto estão presentes. Parece confuso, mas quero-vos comigo enquanto o estão. Quero que me digam quando precisarem de uma pausa. Quando eu entrar não quero medo, não quero respeito, não quero nervosismo. Quero alegria em me verem. Quero um café tirado com prazer de partilharem o vosso. Vão querer dormir pouco, vão odiar os vossos fins-de-semana, principalmente se tiverem uma família que vos prenda. Vou ser o responsável por cortar as vossas cordas. Vão-se divorciar, vão deixar o comando da televisão, vão sentir. É isso, vão sentir cada vez mais. E mais e mais. Sempre sintonizados com o que vos rodeia. Vão querer-me. Vão amar-me e vão ser amados!

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.