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Este é o nosso dia !


Saiamos para a rua meus irmãos e gritemos todos juntos “ Viva as nossas mulheres que as dos outros já nos dariam imenso trabalho!”

É verdade hoje é dia da mulher e nestes dias, para além de um sorriso pela manhã ser fundamental, é preciso termos a noção que este é um dia de guerra aberta. Isto não é só o dia delas meus amigos. Este, no fundo, é o nosso DIA DE TERROR!

Ora vejamos:

Regra nº 1 – Nunca dar o flanco. Por muito que sejam postos à prova, nunca percam a paciência. Ouviram? (ou leram?) Isto é a base para as restantes dificuldades que nos esperam.

Regra nº 2 – Ter especial atenção ao pedido especial. Existe sempre um e vocês sabem que com elas as coisas são sempre nas entrelinhas. Nunca pedem, dão a entender. E é aí que temos que ser ferozes como uma chita. Estarmos atentos. Poderá vir da mais rebuscada história, da mais disfarçada dica. Mas vem.

Regra nº3 – O presente é fundamental. Tentem ser criativos e isto nunca passa por não dar nada. Tudo bem, pode parecer surpreendente, mas não é bonito. Tentem uma coisa que lhes toque ao coração. Se tiverem muito dinheiro a coisa torna-se fácil: Vai-se lá saber porquê, mas uma jóia tem o efeito de derrame cerebral. Pelo menos é aquilo que eu vejo nos filmes. Mas suponho que para nós passaria por uma agradável surpresa. Eu sei que estão ansiosos para que eu vos dê a dica milagrosa. Aquilo que fará com que vocês sejam a estrela da noite. Estão preparados? Como ingénuos e boas pessoas que são, e desculpem-se ser assim tão directo, pensariam que eu teria essa solução? Nem elas têm meus amigos. Nem elas sabem o que querem. Por isso, caros companheiros, amanhem-se!

Regra nº4: Terem a noção que para elas não existem regras. Não existem limites. Todas as armas são possíveis. Todas as armadilhas e rasteiras podem ser sublimemente utilizadas. Mesmo que elas sejam apanhadas na curva, é importantíssimo não desmascara-las. Para além de terem um argumento fortíssimo, são estupidamente geniais a porem sempre as culpas em nós. Como a discussão e a argumentação lunática que esta espécie extraterrestre tem, não está… repito, não está, nem de longe nem de perto, ao nosso alcance a vitória neste debate. Sejam burros. Isso mesmo, como uma calhau da calçada com dois olhos. Abanem o rabo. Sejam cavalheiros. Não em demasia – Este não é o primeiro encontro e elas sabem quem verdadeiramente somos: Homens!

Regra nº5 – Aguentem até ao fim. Mesmo no fervor do soninho não se deixem ludibriar. Um segundo desatentos e mandam por terra o esforço colossal de batalhas sucessivamente e heroicamente, ultrapassadas.

Boa sorte e amanhã contem-nos como foi !

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.