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Not There Yet

À lambada era como eu, se pudesse, resolvia muitos problemas. Mas dizem que não, que a violência não nos leva a lado nenhum, e continuamos pacificamente pela vida.

Para além dos rios de lixeira que os nossos canais internacionais teimam em jorrar aos magotes, não vá algum emigrante ter ideia de voltar, um dos pontos altos, sem qualquer tipo de dúvida, é o programa que passa na Sic Mulher que se intitula de “vizinho mudei a loja”, que é qualquer coisa de avassaladoramente péssimo, também conseguem, embora muito raramente, me surpreender pela positiva. E aconteceu ontem, ninguém estava à espera já a horas avançadas da noite quando passo pela RTP Internacional, e me entra pela casa a dentro uma rapariga, de seu nome Luísa Sobral, e com a simplicidade que se pede em dias já de si complicados, me deixar de boca aberta com uma voz calma, sem as gritarias de quem julga que para se cantar bem tem que se berrar. Fazendo-me lembrar Feist, multifacetada, esta rapariga, mostra que ter boa voz não é tudo, eu diria que não é uma ínfima parte do que é preciso, e agarra-se a todo e qualquer tipo de instrumento, dando a ideia clara de onde partiu a belíssima musica que agora toca no meu Itunes.

Vou de férias sem querer discutir aqui se são merecidas ou não, e vou dia 17 para quem se interessar por qualquer tipo de precisão. E vou feliz por isso mesmo, com as tais saudades que um dia descrevi por aqui, e com aquele frio na barriga que indica que a ansiedade começa a crescer.
Depois o mesmo de sempre, espero que vocês se encontrem bem de saúde e com um sorriso estampado no rosto. E claro que não preciso de o dizer, mas já agora digo, que é fundamental que acreditem na vida para além da morte para darem algum sentido ao que andam a fazer.

Beijokas e ainda por aqui passo para vos desejar Boas Festas. E, para quem não conhece, espero que se deliciem com esta talentosa Portuguesa:


Comentários

  1. Tio tenho saudades tuas.
    Disseram-me que vens sábado.
    O gui está a portar-se bem?
    Boa viagem tio.
    beijos de todos.
    Tiago

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.