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A persistência na paciência



Na verdade, adoraria ter um discurso inspirador. Que as pessoas se revissem no que escrevo, no que digo. Que as minha letras fossem um guia numa bifurcação difícil de escolher. Aquele sentimento que temos, e que gostaríamos que fosse real: SERMOS DIFERENTES.

Quem não gostava, mesmo sentado no sofá, de fazer a diferença. Ser falado por isso: “ Você faz a diferença”
Todos os dias de manhã acordaríamos sabendo, isso mesmo, que íamos fazer a diferença.

- Felisberta, espera só um bocadinho que agora vou vestir a capa!

E as segundas pareceriam Domingos de manhã e o carvão, chocolate.
Era chamado o País das maravilhas e ninguém se atreveria de invejar o quintal do vizinho.

Pois bem, como nenhum tema vem ao acaso e o planeta é redondo, tudo bem que meio ovalizado, mas é redondo. Vou anunciar aqui, em primeira mão, e espero que estejam preparados, que a vida não é justa. Eu sei que alguns de vocês já desconfiavam disto mesmo, e uma minoria desde crianças. Mas é preciso alertar os mais distraídos. É preciso constantemente renascer das cinzas. É levar paulada no lombo, e reerguer novamente. Aí vamos nós, e tal, aos poucos a ganhar confiança e toma lá outra vez. Dizem que é uma aprendizagem. Que nem sempre conseguimos ver a sua finalidade, mas ela, a finalidade, mais tarde ou mais cedo, acaba, disfarçadamente, por nos bater à porta. Eu sei, está a ser um pouco confuso e a maioria já desistiu no primeiro parágrafo. Percebo. Mas, tal como a vida, este texto tem uma finalidade. Para os esforçados, para os que acreditam, para aqueles que lutam incessantemente, este texto chegou ao fim e poucos o sabem. As tais minorias que fazem a diferença - Por gramarem com a pastilha, por serem persistentes na paciência… e isto diz tudo : A persistência na paciência.

Boa semana e parabéns por terem chegado ao fim!

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.