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"Acordo" para quem anda a dormir.




Tenho alergias a tudo. Nasci assim e provavelmente não haverá grandes melhorias. Isto vem a propósito da obrigatoriedade que um verdadeiro homem, a partir de uma certa idade, começa a revelar: Barriga grande e gosto pela pesca.
E isso assusta-me. Porque a barriga já começa a aparecer e se o gosto pela pesca se entranha… eu próprio posso temer pelo amor que tenho por mim.

No outro dia à conversa com a Maria do Carmo, professora de Português, e que faz parte da família aqui de Angola, falávamos do acordo ortográfico. Eu queria falar do Sporting, mas … Bem, isto para dizer que - Não sendo eu um apologista de ditaduras, mas convenhamos que o acordo é feito numa língua, que se não me engano, é o Português. E sendo, lá está, Português, parece-me a mim, muito bem pensado por parte de outros Países onde se fala a língua de Camões, que se retirem as letras que não são pronunciadas verbalmente. Por isso eu agora deixei de ser uma pessoa optimista para ser otimista. E isto, parecendo que não, provoca em mim mais otimismo ainda. Sendo que, neste caso, o aluno ultrapassa o mestre. E aposto que quem teve a ideia de por letras, à toa, no meio das palavras era estúpido. E agora ficou provado.
Resta-me dar uma enorme salva de palmas, para a abertura que sempre demonstramos para estes facilitismos multiculturais.

Já agora, uma ideia de ultima hora: Porque não “importar”, também, todas as riquezas dos Países lusófonos para Portugal - Tipo diamantes e petróleo - Em troca, temos muito boa cortiça. Que é coisa que dá imenso jeito para isolamento acústico. Com sorte abafaríamos mais ideias divinas, vindas de além-mar, e passaríamos a dar importância, por exemplo, a um Diogo Cão.

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.