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Sou fruto da tua árvore

Acho que as pessoas são fruto, essencialmente, do ambiente que as envolve e das pessoas que as rodeiam. Muitas das vezes descrevo aqui situações caricatas do povo Angolano, mas com a plena consciência de que quem nasce e sempre viveu neste meio nunca conseguirá seguir um rumo que desconhece. Quem não sabe é como quem não vê.
Eu próprio vim cá parar por alguma razão.

Tive 3 profissões na vida, isto claro desde que sou vivo:

A primeira foi numa fábrica de electricidade em que a minha função era apertar parafusos. Basicamente era isto. Na entrevista perguntaram-me o meu nome e como o consegui dizer do princípio ao fim sem gaguejar, fiquei apto para trabalhar nas funções que pretendiam.
Funções que, digo desde já não eram assim tão simples como possam imaginar. Havia 3 dimensões de parafusos e na altura tinha um colega que trabalhava naquela função há 15 anos e muitas das vezes ainda se enganava. "Poderia ser dos 2 bagaços que bebia logo de manhã" mas isso eram as más línguas.
Como devem calcular, um emprego de sonho. Não me aguentei mais do que um mês porque os meus Pais ainda acreditavam nas minhas capacidades e incentivaram-me a continuar a estudar. Na altura nunca percebemos bem a finalidade de uma equação matemática na nossa vida, mas acreditem, putos, que as vossas "probabilidades" deverão estar sempre ligadas a um denominador que não deve ser comum.

A segunda, e após muito incentivo falhado nos estudos, tive das profissões mais bonitas e de profundo conhecimento social, que pode existir. Havia quem dissesse que era aturar bêbados. Discordo totalmente. Servia copos e por vezes tremoços atrás de um balcão, sim senhor é verdade, mas essencialmente aprendi a ser um conselheiro das almas perdidas que por ali procuravam algo mais que um aconchego.
Depois de três anos de um desenvolvimento pessoal muito específico, chegou a altura de subir um degrau. Onde o meu vidro, como uma cobra, teria que deixar a pele de mais um reflexo.

O maravilhoso mundo da Construção Civil estava à minha espera. Foi aqui que todo o perímetro da minha personalidade foi finalmente fechado. Mas esta, por ser delicada e de uma riqueza extraordinária e porque o texto já vai longo, terá que ser uma história que ficará para uma outra vez.
Uma vez que Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce : mas para isso tem que existir trabalho.
E isso (Eu e trabalho) é a mais bela conjugação destas duas palavras. Porém só eu faço mover a engrenagem que é, justamente, a conclusão do trabalho.

- Desengane-se quem julga que vim para educar massas.

Comentários

  1. EH eH EH é pá tu és mesmo engraçado. Ja acompanho o teu Blog ha algum tempo mas este post está de mais.

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.