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Confissões de um pneu abandonado


Faço dois anos que emigrei para Angola no próximo dia 20 de Outubro.
Dois anos de pura adrenalina, de muitas lutas, e de crescimento abismal a nível pessoal e colectivo.
No fundo uma experiência a repetir num País Árabe qualquer.
A progressão a nível profissional e pessoal tem sido incrível. O estatuto que consegui atingir nesta terra se não é impressionante, é pá, então não sei o que possa ser.
Sou respeitado por todos os colegas de uma forma que até a mim me assusta: Consideram-me como um Comandante sem farda onde as mais altas divisas me estão cravadas na alma.
Se mesmo assim, não conseguirem atingir a amplitude de tal reconhecimento, imaginem uma galinha, que num salto mais efusivo voa como um falcão cego atrás da sua presa.
Sou forte e destemido, frágil e comedido numa mescla de heterónimos onde por nada mais sou, do que um pneu abandonado no meio da estrada.

Ajoelando-me e confessando-me aos vossos pés, sou um Álvaro de Campos:
“Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento,
E ver passar a vida faz-me tédio”

Posto isto, quanto tempo mais terei que ficar por aqui ?

Comentários

  1. Não sei o que te diga...
    mas cada vez está mais decadente...
    epá, mas se te faz feliz, continua amigo...

    Abraço

    Marcos

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  2. Auuuuuuuuuuuuuuuuu
    é o que eu tenho a dizer ;)
    fenomenal

    Mané

    ResponderEliminar
  3. Rir é o melhor remedio, obrigado puto por momentos de pura descontração!

    ResponderEliminar

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

Prós e Contras

Todos sabemos que temos que andar com as calças folgadinhas caso seja preciso arregaçar à pressa. Ninguém tem dúvidas disso. O último programa “Prós e Contras” gravado em Angola foi um exemplo, diria escandaloso, disso mesmo. Foi degradante para a história da nossa nação as figuras que tivemos que fazer. Pelo menos eu, ainda tenho orgulho de dizer que sou Português e não queria de maneira nenhuma deixar de o ter. O jornalista Rosa Mendes que tentou mostrar a vergonha de uma nação, tornou o caso mais vergonhoso ainda por ESTE motivo! Mas nada como histórias pessoais, também elas vergonhosas, para apaziguar a alma dos inconformados - Já me tinha acontecido, tentar salvar alguém de morrer afogado. A primeira vez e única, até este fim-de-semana que passou, foi no Gerês quando a dois metros da margem do rio o meu amigo de alcunha “Salmão”(de certeza que não foi pelos dotes de nadador que lhe puseram a alcunha, porque estes meninos nadam contra a corrente como ninguém) começa a esbracejar ...

FAZIA TUDO

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VAMOS TODOS FICAR BEM?

Uma forma bonita de elogiar um gago é dizer que "tem dificuldade em se despedir das palavras". Eu tenho dificuldade, não diria em me despedir, mas de aceitar algumas frases de motivação que por estas alturas abundam em todo o lado. "Vamos todos ficar bem!" e depois ao lado um arco-íris pintado, de preferência para criar mais impacto, pelo próprio filho. Mas que merda de frase é esta? Mas desde quando, mesmo sem esta pandemia, vão todos ficar bem? Eu, quando está tudo supostamente perfeito, muitas das vezes não estou bem. Sabem o significado da palavra "todos"? Claro que não vamos todos ficar bem. Posso estar aqui a cometer alguma inconfidência, mas vai morrer mais gente. Isso é certo. E há famílias desesperadas em todo o mundo e claro que os mais pobres serão sempre os mais desfavorecidos. Em Angola, que é um País que ainda acompanho de perto, pedem para a população ficar em casa. Já foram ao Cazenga ou ao Sabinzanga? Em princípio não, mas para vos tentar ...