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Os putos têm de se assumir

Continuam a ser putos e temos que os obrigar a porem-se no seu lugar. Nem que seja à porrada...



As ideias originais estão nas mentes mais novas porque estão menos poluídas, e é preciso não as prender atrás de grades que os “adultos” julgam ser mais seguras. A segurança, cá para nós, é uma treta. Com a segurança pode vir algum conforto mas, convínhamos, é um tédio. Os putos têm de se assumir e temos de deixar que o façam. Ver uma caixa fora do sítio que achamos que ela não tem que estar ali, é um péssimo principio para qualquer organização. Não queremos uma rebaldaria e não queremos que eles se achem adultos e que falem ou tenham a pretensão de se por de igual para igual. Continuam a ser putos e temos que os obrigar a porem-se no seu lugar. Nem que seja à porrada – acho melhor do que a cadeirinha da espera ou do sossego que agora parece que virou moda. Mas atenção: porrada no bom sentido. Assim defendo-me de qualquer idiota que queira reivindicar os direitos das crianças, porque quando é porrada no “bom sentido” dificilmente se arranja outros sentidos que o leitor mais energúmeno queira desbravar. Hoje é um dia especial para mim, faz um ano que a minha filha nasceu e vejo que está ali uma menina com imenso potencial para ideias originais. Pelo menos parece que adora ver as coisas fora do sítio que eu achava, e jurava, que eram o sítio delas. Parece que nada tem o seu sítio e isto pode ser assustador ao princípio. Por muitos anos que uma jarra esteja num canto de um móvel, que parecia ser o lugar dela, nunca o pode dar como garantido… e isso assusta porque podemos transportar isso para as nossas vidas. Por isso poderíamos pensar que devemos aproveitar o sitio onde estamos, mesmo que estejamos ali há anos, o máximo possível. Parece-me errado pensar assim como me parece completamente enganador pensar o contrário. Não sei. Vou perguntar à minha filha que de sítios parece que ela percebe mais que eu.

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

Prós e Contras

Todos sabemos que temos que andar com as calças folgadinhas caso seja preciso arregaçar à pressa. Ninguém tem dúvidas disso. O último programa “Prós e Contras” gravado em Angola foi um exemplo, diria escandaloso, disso mesmo. Foi degradante para a história da nossa nação as figuras que tivemos que fazer. Pelo menos eu, ainda tenho orgulho de dizer que sou Português e não queria de maneira nenhuma deixar de o ter. O jornalista Rosa Mendes que tentou mostrar a vergonha de uma nação, tornou o caso mais vergonhoso ainda por ESTE motivo! Mas nada como histórias pessoais, também elas vergonhosas, para apaziguar a alma dos inconformados - Já me tinha acontecido, tentar salvar alguém de morrer afogado. A primeira vez e única, até este fim-de-semana que passou, foi no Gerês quando a dois metros da margem do rio o meu amigo de alcunha “Salmão”(de certeza que não foi pelos dotes de nadador que lhe puseram a alcunha, porque estes meninos nadam contra a corrente como ninguém) começa a esbracejar ...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

VAMOS TODOS FICAR BEM?

Uma forma bonita de elogiar um gago é dizer que "tem dificuldade em se despedir das palavras". Eu tenho dificuldade, não diria em me despedir, mas de aceitar algumas frases de motivação que por estas alturas abundam em todo o lado. "Vamos todos ficar bem!" e depois ao lado um arco-íris pintado, de preferência para criar mais impacto, pelo próprio filho. Mas que merda de frase é esta? Mas desde quando, mesmo sem esta pandemia, vão todos ficar bem? Eu, quando está tudo supostamente perfeito, muitas das vezes não estou bem. Sabem o significado da palavra "todos"? Claro que não vamos todos ficar bem. Posso estar aqui a cometer alguma inconfidência, mas vai morrer mais gente. Isso é certo. E há famílias desesperadas em todo o mundo e claro que os mais pobres serão sempre os mais desfavorecidos. Em Angola, que é um País que ainda acompanho de perto, pedem para a população ficar em casa. Já foram ao Cazenga ou ao Sabinzanga? Em princípio não, mas para vos tentar ...