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Ler não é bom!



Vou dizer aqui uma coisa que poderá causar espanto a muita gente: Qualquer pessoa pode escrever meia dúzia de palavras e colocá-las, efectivamente, na net. Considerar ainda que, hoje em dia, até o José Rodrigo dos Santos tem grande sucesso como “escritor”!
Por isso argumentar com afinco uma tese baseada no magnífico argumento: “Li na net!” ou até mesmo “li num livro!” - poderá não ser a melhor forma de mostrar que temos razão. Se bem que a verdade hoje em dia é relativa. Todos sabemos que já vimos grandes verdades serem desmentidas e grandes mentiras tornarem-se verdades. Quantos de nós já não fomos postos em causa por coisas que nem sequer imaginámos fazer. O famoso provérbio “ Para ter a fama que se tenha o proveito” encaixa como uma luva em determinadas situações. Mas é bom esclarecer o leitor que nem em todas as ocasiões isso acontece. No caso prático, por exemplo e hipoteticamente, de sermos acusados de constantemente gostarmos de ajudar pessoas. Aí, diria, que não convém ter o proveito até porque ajudar dá trabalho. Se ficássemos só pela fama seria magnifico, porque poderíamos aproveitar o tempo para, efectivamente, fazer coisas realmente importantes. E sejamos sinceros, as pessoas não precisam de ajuda. Ajudar não é bom para a evolução de ambas as partes: De um lado porque fazemos o que era suposto a outra pessoa fazer; e do outro gastamos tempo, quando poderíamos e deveríamos focarmo-nos na nossa própria evolução. Mesmo que isso passe por estar sentado num sofá com o comando na mão. Estes momentos são importantes para o nosso autoconhecimento. Farto-me de dizer isto e como agora fica escrito talvez tenhamos a sorte de alguém dizer que leu na net!

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.