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"Mas que nada"

Embora hoje esteja nevoeiro o sol brilha, não por ser sexta-feira, não porque o amor que eu tenho a dar para o mundo tenha aumentado e imagino eu que ele não se guie pela cotação da bolsa, mas porque acordei assim.
Parece uma justificação parva prevendo mais um texto que a desistência à segunda linha seja de 99%, mas é a que tenho e como tantas outras coisas achei importante partilhar.

Agora ando virado para o Jazz, não porque ache que fique bem ou que pareça inteligente da minha parte dizer isto, mas porque alguém, de seu nome Nuno, me fez questão de mostrar que para além da canção do Cacilheiro, ou das composições magnificas do Andre Sardet que com as notas Sol e Dó faz maravilhas na sua viola e não esquecendo também as suas letras que têm muito, daquilo a que eu chamo “persistência literária”, existem outras pessoas que estudaram, efetivamente, musica e por isso sabem que, para além do Sol e do Dó mágnifico do Sardet, numa partitura existe um mundo de sons que nos podem surpreender e para isso só nos basta estar atentos.
Não quero dizer com isto, como é obvio, que o Jazz tenha a exclusividade de fazer boa música, já vi génios no trompete que estariam bem era atrás de um balcão e porque também  sou um fanático dos Ornatos Violeta, The Doors, Muse, Radiohead, Arcade Fire, Feist, Dead can Dance, Bauhaus, The Cult, ou até do mítico Quim Barreiros, mas já me cansa ver a lixeira musical que o retângulo mágico teima em jorrar cá para fora. Não há espaço para os bons e os maus continuam a brilhar. Mas alguém vê aquela porcaria porque eles continuam a insistir...

Tanta conversa para nada porque neste momento o meu iTunes toca Michael Carreira e eu apanhei-me a mim próprio a bater com o pé!


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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.