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Funcionários que não são públicos !



Não queria generalizar esta classe, porque me parece que poderia se injusto para alguns sectores que até tenho alguma admiração, como é o caso dos Professores e alguns funcionários públicos, que o são na verdade, ou seja, que efectivamente fazem o seu trabalho. Mas o problema está na outra grande percentagem, que, para além de ser excessiva, tem regalias sobrenaturais e mesmo assim fazem greves, com injecções de veneno de sindicatos com patriotismo nulo, para reivindicar uma espécie de paraíso para os trabalhadores privados, ou seja direitos que mais ninguém tem. Não é que eu seja invejoso ao ponto de querer o quintal do vizinho, mas já cheira mal a constante vitimização desta classe que vive à custa do sector privado.
Não são de maneira nenhuma os únicos responsáveis, isto nunca poderá servir de argumento, mas fazem parte do problema e isto tem que ser resolvido. Pouco me importa se o Tio, a Mãe o Filho ou o Cunhado pagam as contas com o dinheiro que recebem por serem funcionários públicos, o problema não pode ser analisado individualmente, mas no geral é preciso por muita desta gente, efectivamente, a trabalhar. Fora do estado, como é óbvio.

Doe-me um bocado andar toda a vida pagar impostos atrás de impostos sem ter a mínima opção e com a consciência que grande parte do dinheiro que eu ganho, com o meu suor, anda nos bolsos de quem há anos se senta atrás de uma secretária, toma o lanche na pastelaria da esquina, o cafézinho pela manhã a horas de trabalho, e sai a tempo de ir buscar o filho à creche. ... eu por seu lado, e é o lado que me dói, todos os dias ando por ruas cheias de lixo, oiço um sotaque esquisito na população, e sinto o cheiro da minha terra a 7500 km de distância!

Será por opção ou culpa própria?
Se calhar é parvoíce!

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.