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Encruzilhadas




Vamos fazer amigos com os animais ?
É o futuro. Esse é o caminho. Comprem ou adotem um cachorro, um cágado, um piriquito ou até mesmo um gato e desfrutem da beldade do instinto animal. Da sua inocência por não saber que tudo tem um fim.
Mas será que tem?
Confesso que fico confuso, todo o universo, para além de imenso, surpreendente e inexplicável, gerou um planeta, pequenino, ínfimo até, para ali e só ali - pelo menos que se saiba - colocar uma espécie que também ela é muito pequenina, mas com uma imensidão de dúvidas e amarguras. Um turbilhão em cada um que nos faz parecer que o universo, para além da estupidez humana, não é a única coisa infinita. Muitas teorias e crenças se “desenvolveram” com os milhares de anos da nossa existência, com guerras e muitas mortes à mistura, tentando cada uma delas ser a “verdadeira” a “única” explicação para o inexplicável – A Fé!
A Fé não se explica, sente-se. E é isso que me aconchega nos momentos de angústias e amargura. A fé que eu tenho não tem um nome, não é Jeová, Cristã, Judaica, ou qualquer outra interpelação da Bíblia, mas sim de que o próximo só te valida se o escutares, se o vires, se sentires aquilo que ele está a sentir.
E a bondade esmaga qualquer um. A pura bondade não nasce com ninguém, não é um dom. Constrói-se e semeia-se bem lá no fundo. São essas pessoas que eu quero agarrar, são essas pessoas que me amarram, porque a minha bondade está tão longe de ser o que deveria. O meu Castelo cai, pedra sobre pedra, quando ela me aparece à frente, sem se notar e vira costas sem me estender a mão.

Comentários

  1. A branca é boa mas a castanha é melhor! (resultado de sondagem efectuada à porta de um café da meia laranja)18 de janeiro de 2012 às 06:32

    Olha lá, tás cá com um paleio!!! com acordo ortográfico e tudo... "adotem" muito bem! Caro amigo só passei por aqui para te dizer que não vou adoptar nada porque já tenho muitos amigos macacos, quanto à "fé"... Somos do SPORTING e tá tudo dito!!!

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.