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É como se fosse a primeira vez...

Como em tudo na vida a partilha é muito importante. Porque podemos fazer o melhor brilharete do mundo, mas se ninguém tiver a ver, parece-me a mim, não serve de nada.

Ir ao banco, aqui em Luanda, pode inspirar qualquer carrancudo a escrever um grande artigo sobre humor. Provavelmente já vos falei sobre este assunto, mas como eu não me lembro … é como se fosse a primeira vez.
Começo pelo inicio desta pequena aventura: Duas horas de espera é o que se avizinha para quem já passou por esta experiência. As filas conhecidas como “indianas”, aqui poderão chamar-se de “um amontoado de pessoas”. Para quem tem alguma dificuldade em visualizar que tipo de “fila” eu estou a falar, imaginem alguém que no meio de uma Praça, de repente, grita: “Ofereço um bilhete para o concerto do Tonny Carreira que já está esgotado.” É exactamente esta a fila que encontram.
A pergunta essencial a fazer é: quem é a ultima pessoa?
A resposta poderá vir do centro daquele “molho” de pessoas, e para isso é preciso não perder, neste caso, a penúltima pessoa de vista.
Todo o processo seguinte começa, com o passar do tempo, a tornar-se cada vez mais simples e consequentemente mais cómico.
O grande truque, como em muitas situações da nossa vida, é no meio do caos criares a tua própria regra, e neste caso parece-me que a “calma” será aquela que mais nos poderá ajudar.
As discussões são frequentes pelo motivo que já se adivinhava: quem está à frente de quem?

Eu posso dar uma ideia, que me parece simples e já foi testada em muitos países: Porem senhas.
Convém é que sejam numeradas.

Não sei se neste pequeno exemplo estará a resposta para qualquer perguntam que tinham em mente?
Espero que sim.


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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.