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Tetas



Estamos numa crise cada vez mais agravada pela irresponsabilidade de quem quer o poleiro a todo o custo e com um Presidente da Republica que tanta porcaria diz quando menos é preciso e fica caladinho, nas covas, quando o País arde a todo o vapor.

Estamos em crise e o Ipod 2 esgotou em menos de meia hora. Podemos estar a passar fome, mas ninguém sobrevive sem o novíssimo e sofisticado Ipod. Eu próprio comprei dois não vá um deles avariar.

Estamos em crise, e o FMI avizinha-se como a única solução.
Será simples perceber porque é que será a solução: Eles não se importam com poleiros, com esquemas, com quem anda a mamar há anos.
Todos perceberemos a aflição de um pobre coitado que sempre teve um ordenado chorudo e nunca teve que se esforçar muito por isso. Todos perceberemos os milhares Presidentes de Câmara, Freguesias, Conselhos que sempre fizeram tudo para engordar os seus mealheiros e claro, sempre fizeram tudo para ajudar os mais necessitados, neste caso e por pura coincidência, os familiares, amigos e afilhados, correm um sério risco de não poderem “construir” mais castelos à custa do povo.
Todos já perceberam que a teta que era gorda, começa a ficar velha, cansada e sem leite para todos.

Eu já percebi que vou ser obrigado a estar fora do meu País por mais uns anos, se assim o conseguir, e que já é uma bênção ter emprego e forma de poder ajudar os meus.

Também já percebi que daqui a dois dias estarei de volta ao País que aprendi a dar cada vez mais valor e já percebi também que o meu ódio por quem nos Governa ganha dimensões sem precedentes.
Todos já percebemos que estamos num buraco e a solução só poderá ser: sair dele.

Um abraço e até dia 12 de Abril.


Comentários

TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.