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Tenham pena...

Eu sei que é muito bom a TVI não ter ainda canal internacional, pelos menos para mim que sou um emigrante que convive com 11 pessoas na mesma casa, e era certinho que passava a ver as 300 novelas que passam todos os dias, o “bombástico” telejornal que tem como abertura uma notícia sempre interessante e aqueles programas que têm 4 ou 5 comentadores com o único objectivo de falar mal de uma qualquer figura pública, que teve o azar de fumar uma ganza na rua ou partir um copo num Restaurante.
Não queria sequer comentar a RTP África nem a RTP internacional, porque isso obrigaria a enervar-me e a usar o calão.
A minha esperança ainda se mantêm na Sic internacional, que poderia muito bem seguir o exemplo do sua “irmã” , Sic Noticias. Não é que eu não goste de ver o “soltem a parede”, principalmente porque sou um emigrante em África e admito que é bom ver as pernas da Diana Chaves. Embora o seu jeito para ser apresentadora não corresponda às curvas do seu corpo, mas isso nunca foi importante em Portugal (o talento, é claro!).
Agora, insistirem nos Malucos do Riso é que eu não percebo porquê ! Com tanta coisinha má, tinham de escolher a pior?
Tenham pena das pessoas que andam a ganhar o dinheiro lá (cá) fora!

Comentários

  1. Ter o privilégio de estar em Angola não será suficiente?
    Para mim não foi. Não tanto pelos fracos canais de televisão, mas mais pela fraca qualidade da internet, inexestência de oferta cinéfila, oferta cultural, concertos, teatros, exposições, eventos vários, entretenimento em geral (safam-se alguns tipos de entretenimento pontuais ;) ).
    Agora por cá ando as ver as duas novelas da SIC... quem diria?! LOL! Mas olhem que são muito boas.

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TEXTOS QUE ME ENTRISTECEM

CAIXAS

Desde muito cedo percebi que não gostava de caixas e de caixinhas. As pessoas têm tendência em organizar e agrupar as suas vidas em caixas. A primeira memória que eu tenho disso foi quando cheguei a uma festa de anos com os meus Pais, ainda era eu muito novo, e a minha Mãe vira-se para mim e diz “olha ali aqueles meninos que têm a tua idade, vai brincar com eles”. A lógica é a mesma de quando hoje em dia me dizem “convida o João e a Cristina, eles têm um filho da mesma idade que a tua”. Mas eu nem sequer gosto do João e a Cristina diz tudo o que lhe vem à cabeça. De início pode parecer giro, mas passados dez minutos era capaz de pendurar a Cristina pelos pés e suplicar a Deus que a levasse para junto dele. O que me preocupa é que a natureza permita que gente desta consiga procriar. “Mas sempre convivias um bocado e as crianças ficavam a brincar, só vos ia fazer bem”. Fazer bem? A quem? Não percebo esta necessidade de mostrar que conseguimos receber gente em nossa casa que não gostamos...

FAZIA TUDO

Eu espero sempre o pior das pessoas. Nunca fico à espera de qualquer espécie de bondade. Talvez porque seja aquilo que eu vejo em mim: pouca bondade disfarçada com alguma disponibilidade. Na minha cabeça tento camuflar tudo isto. Por isso me emociono e me espanto com pessoas genuinamente boas. Duvido sempre delas até ter absoluta certeza. Para mim, querem sempre algo em troca. Nenhum acto é por acaso. Quando as vejo a perder tempo com os outros, acho estranho. O mundo não é assim. Eu não sou assim. Eu trabalho porque recebo ordenado. Perco tempo em fazer comida porque tenho fome e gosto de comer. Tento fazer exercício porque sei que terei a compensação do esforço. Todos os meus actos têm como base uma recompensa. Conheci cedo a bondade. A dos meus Pais. Mas dos Pais é suposto haver bondade. Uma bondade obrigatória. O tal «coração fora do peito» que as pessoas dizem e que me irrita particularmente esta expressão. Mais tarde, já no secundário, conheci a bondade pura. Foi estranho. Muito ...

Que vida é esta?

A vida não vai acabar bem. Sabemos disso embora, por burrice, nos esqueçamos a todo o momento. Vamos morrer e na melhor das hipóteses quando formos velhinhos e rezando, desejando, pedindo e implorando que não soframos muito na decadência própria do avançar da idade. Na caminhada fazemos por esquecer que tudo é efémero. Tudo passa e não temos um décimo da importância que julgamos ter. As desilusões são um bálsamo para todas as vidas, elas mostram-nos a realidade. Estávamos iludidos. Estamos quase sempre iludidos. Parece que gostamos de viver dessa forma. Olhamos para os velhos como se fossem uma miragem, não nos colocamos na pele de quem tem o fim tão perto. Um fim que será miserável por todas as razões e mais algumas. Aos poucos se perde tudo e se fica sem nada. A cabeça não quer, teimosamente, acompanhar o definhar do corpo. Todas as ilusões do futuro não existem e a certeza da morte está ao virar da esquina. Metemo-los num lar e nas visitas tentamos apaziguar a tragédia que está ali ...

QUAL É A IDEIA?

Vejo muita gente a dizer as ideias dos outros ficando eles próprios sem saber quais são as suas próprias ideias. Quem não prestar a devida atenção fica com uma ideia errada da pessoa que partilha uma qualquer ideia. Acho, e isto é uma ideia minha, que precisamos ter a nossa própria ideia. Só assim teremos uma ideia de quem somos e de quem nos rodeia. Deixo aqui esta ideia que, confesso, poderá não ser minha, mas entre o alvoroço e o reboliço ninguém vai fazer puto ideia.