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Mensagens

Psicologia

Cada um caiu do colo da cegonha para compreender a sua versão do que é a vida. Cada um com o direito de ter variadíssimas pretensões ou até, legitimamente, não ter pretensão alguma. Já sabemos que desde cedo começamos a perceber que nos desiludimos facilmente porque, creio eu, criamos imensas expectativas. Queremos meio mundo e passados dois minutos, já nos apetece a outra metade. Por isso, acho que quando insistimos na tragédia, na depressão existencial, achamos que nada está bem na nossa vida e à nossa volta ninguém nos compreende, deveremos serrar uma das nossas pernas. Provavelmente iremos esquecer todas as angústias que tínhamos e vamo-nos concentrar única e exclusivamente na perna que perdemos. Se não resultar, o que eu duvido, serramos um dos braços. Convém ser o braço do lado oposto à perna, só por uma questão de equilíbrio: Nunca serrar a outra perna porque ao pé-coxinho ainda se pode subir muitas escadas. É certo que poderá ser doloroso no início, mas a partir da...

Alguém tem que estar no comando!

Estava tudo feito em retalhos. Mais uma vez as bifurcações eram mais que muitas e o clima poder-se-ia tornar pesado. O Ismael tinha uma única opção: Esperar! Que isto está mau, já todos sabemos. Como se aceitam as situações é que já é outra conversa. O murmúrio inicial gritava cada vez mais alto, poderei dizer que quase ouvia a algazarra que ia dentro do rapaz. Palavras sábias não eram necessárias, assim como seriam inconsequentes. Os medos nasciam como cogumelos num clima propício. Tudo estava posto em causa. Chegaríamos ao “momento chave” muito em breve. Todos perguntavam como é que iam as coisas. A resposta era sempre a mesma. Tudo só pode ir bem para quem não quer que isso aconteça. Já sabemos pelo Correio da Manhã que o povo está sedento da desgraça. Os pobres coitados precisam de calamidade para se sentirem vivos. O Ismael precisa de paz. A espera torna-se cada vez mais longa. Parece que nada depende do tempo visto que este se estende como uma nuvem. Tapa tudo. A espera parece n...

Gentileza by Eva dos Anões

O meu amigo João foi Pai pela primeira vez há dois meses. Fui ontem conhecer o Mário. Como é obvio estava babadíssimo e a pergunta ia surgir mais tarde ou mais cedo. Mas fomos os dois adiando o inevitável. A contemplação do Mário ainda durou mais do que eu poderia imaginar que fosse possível. Eu percebo em parte o fascínio, mas estamos a olhar para um bébé que não faz mais do que beber leite, vulsar, mijar, cagar, chorar e depois dormir. Não poderia fazer esta desfeita ao João e continuava com o meu melhor sorriso nos lábios. Ainda cheguei a pegar nele com todo o cuidado possível.   - é lindo não é ? – Perguntou-me o João como se eu tivesse com um botim de sola vermelha da Prada.   - é lindo João, é perfeitinho! Sempre me safei com esta resposta. Todos ficam maravilhados com o “perfeitinho” e eu ainda mais maravilhada fico por se ficarem por aí. Sou sincera e não me levem a mal por dizer isto. Prefiro pessoas já formadas e de preferência inteligentes. Gosto de conversa...

Pardalar!

Eram dois pardalinhos, vi-os eu, a voar todos contentes. Um atrás do outro e iam-se revezando. Depois era o outro que ia na frente. A fachada do edifício que agora conheço como meu local de trabalho, é em vidro. Mas é um vidro espelhado que reflecte três ou quatro árvores que por esta altura têm o seu ramalhete por metade. Para além das árvores reflecte tudo o resto que está à volta, não descrimina nada e reflecte a realidade, mas com um brilho diferente. Seria essa a dica para que estes pardais percebessem que a realidade anda sempre disseminada. No rescaldo de uma curva procedida de um looping de alto gabarito, só ao alcance de quem nasceu para voar, ouve-se um “pack” quase silencioso e sem eco. Tudo acabou ali. Parece impossível que a fronteira seja tão estreita entre a vida e a morte. Está como uma sombra mesmo que o momento nos pareça perfeito. Poderíamos ficar com a tristeza por aqui mas o ninho de sete ou oito, não tenho bem a certeza, bocas esfomeadas dramatizou ainda mais ...

ELEIÇÕES, FUTEBOL E DESPEDIMENTO COLECTIVO!

Não me apetecia falar das eleições até porque não há muito para dizer: Ganharam os mesmos e se fossem outros seria precisamente o mesmo que fossem os mesmos. No entanto, não votar nunca deveria ser uma opção. Infelizmente 43% de abutres ficaram em casa ou foram ao futebol. Não tenho nada contra o futebol, até porque o meu Sporting espetou 5 no Guimarães com 31 mil pessoas a assistir ao jogo. Se eu fizesse uma sondagem à porta do estádio, aposto que mais de metade não sabia que o Partido PAN elegeu um deputado para a Assembleia nacional. Não é uma critica, eu também não sabia e os abutres devem estar contente por alguém ter escolhido por eles um partido que os defenda! O dia a seguir, como coincidência, trousse más notícias para a empresa onde ainda trabalho. Despedimento colectivo de 300 trabalhadores, ficando para breve uma nova enxurrada. Fica a ideia, e somente a ideia, de que se esperou pelas eleições para que novamente uma empresa mandasse para as catacumbas três centena...

A HISTÓRIA DA VOSSA VIDA!

Esta poderia muito bem ser a história da vossa vida. Se tivessem juízo e bom senso. Mas não, teimam em repetir a façanha de sempre e subjugarem-se ao ridículo e vernáculo do mundo do faz de conta. Não são o que nasceram para ser: Pessoas. Por isso as consequências embora sejam sempre as mesmas vêm com mais força, serão cada vez mais incisivas e dolorosas. Não terão compaixão por um beiço caído, uma perna partida ou uma morte de personalidade cada vez mais anunciada. Serão refugiados a suplicar ajuda e terão uma avalanche de julgamentos mórbidos e sem conhecimento de causa. A chama do julgamento está cada vez mais acesa e ninguém conhece limites. Todos julgam vidas que desconhecem e depois são uns trapos quando são chamados a agir. Roda novamente a tômbola e saiu o papelinho com o vosso nome. Nunca é o momento certo porque todos querem mudanças mas ninguém quer mudar. É no vazio e no desconhecido que se encontra o crescimento. Já se ouvem os primeiros urros e as pedras começam a ser lan...

“A partir de agora vais a pé como os cães!”

Há tanto tempo que não vos via! Como estão todos? Espero que bem, sabendo que não é fácil fugirmos ao depressivo desafio de fazer do nosso dia-a-dia uma facilidade e felicidade. Poderiam dizer que tudo depende de nós, mas na verdade não depende. Somos invadidos pela chamada sociedade, por opção é certo porque poderemos sempre ir viver para uma gruta, e isso faz com que varias peças deste imenso puzzle condicionem as nossas escolhas. A persistência será o segredo dizem uns, a ignorância será a salvação dirão outros. Eu digo que são tudo balelas. Não há segredos nem truques para se viver. É tudo uma fantochada. Pessoas que pensam que elas é que sabem como se deve viver ditam logo a sua personalidade: Obtusos e imbecis. Eu, por exemplo e não sendo exemplo para ninguém, viver é pouco mais do que cortar as unhas enquanto estou a ver um bom filme. Para outros, e citando o título deste brilhante texto, viver é dar castigos aos filhos tirando-lhes o carro e seguido do seguinte comentário “A p...