Cada vez mais aprecia a escrita rectilínea, sem muitas curvas sem muitas vírgulas. O que é para se dizer, deve ser dito rapidamente, sem apetrechos com poucos adjectivos. Curto e grosso. Não tem paciência para o acessório, emana objectividade. Não quer saber da roupa à janela, ou se a casa era amarela. Se está um dia radioso ou se a chuva molha parvos. Respeita o silêncio e conhece-o cada vez melhor. Nem tudo precisa de ser descrito, nem tudo tem que ser dito. Os dias são dele, não precisava de se justificar ou agradar a alguém. Possuía todas as horas do dia com a mágoa de quem conhece o mundo. Em tempos, muitos lhe pediram ajuda, concelhos, esmolas. Agora o seu telefone, só serve como despertador e para ver as horas. Está velho e sem estar doente apodrece num hospital. A Dona Teresa e a menina Inês lá vão passando anunciando o “Bom dia”. A enfermeira e a auxiliar todos os dias lhe dão uma festa na cara enrugada e esse, é o momento mais triste do dia. Sabe que não terá forças para sair dali. Sairá amanhã, embora não o saiba. O caixão em madeira de pinho enfeitado com dois ramos de flores que me parecem ser de jasmin, ou outra coisa assim, sai com os quatro filhos em lágrimas. Chorem. Chorem que eu vos vejo desta janela e continuarei de outro prédio ou casa qualquer.
Vocês conhecem a dor reflexo?
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…
Não?
Eu conheci a semana passada. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um fenómeno comum nos especialistas de clinica dentária. Estava, ou melhor, estou à rasca de um dente vai para duas semanas e tive que arriscar um dentista por estas bandas. Calhou-me uma Brasileira, e sou sincero, o sotaque desta gente já me irrita. Não sei se foi de ter levado com as novelas aos magotes quando era um jovem com acne na cara, ou se é por outro motivo qualquer. Mas quando oiço um Brasileiro a dizer que “tou falando verdade” começo logo a desconfiar.
Bem, mas eu sento-me na cadeira mais temida do mundo e digo que me dói um dos dentes de baixo. Não tinha a certeza qual dos dois me doía, mas era um deles. Ela começa a investigar, batendo num, batendo no outro sempre com a ajuda do espelho e passa para os dentes de cima. Pensei que queria analisar a minha qualidade dentária e assim arranjar mais um ou dois que lhe dessem mais uns dólares. Achei normal, afinal to…